Momento Tecnologia


February 20th, 2010

Jornal De Gang
(36)

Momento Tecnologia

A verdadeira felicidade está nas pequenas coisas: um pequeno iate, um pequeno Rolex, uma pequena mansão, uma pequena fortuna, seu desafortunado!

A moda do que eu faço com estas porcarias em casa?

Teve um tempo em que achava que o mundo iria terminar seus gloriosos dias fazendo a linha um-jeito-Paraguai-de-ser, ou seja, tudo seria feito de péssima qualidade e com acabamento de quinta. Mas os chineses superaram tudo, acelerando o processo e sendo mais especializados no que se diz respeito ao ordinário e mal acabado, superando os próprios paraguaios. E a moda pegou e contaminou o planeta inteiro, sendo tudo fabricado à toque de caixa (registradora em alta velocidade) por causa da concorrência chinesa, vendendo porcarias para toda a raça humana sem o menor escrúpulo.

Nenhum equipamento moderno foge a esta regra. Nada dura mais do que a garantia que os fabricantes impõem. Nada fica pra contar historia já que se desintegra em pouquíssimo tempo. Não teremos antiquários daqui a algum tempo, pois não existirão mais produtos preservados para serem apreciados e colecionados.

O meu primeiro equipamento de som já dura há uns vinte e cinco anos (e olha que era fabricação nacional) e ainda funciona. O segundo dois anos com impossibilidade de conserto, já que ficando fora de linha não existem peças para serem substituídas. O terceiro tem três meses e já dá o sinal da modernidade. Está pifando. Com eletrodomésticos é mais sério ainda. Uma geladeira passava gerações numa família, já uma nova não fica na casa até o filho mais velho criar barba. Para a chegada de netos seria necessário comprar no mínimo dez geladeiras de ultima geração. Batedeiras, liquidificadores, torradeiras e etc, que a cada ano ficam mais bonitos e modernos, nunca ficam muito tempo em uso. Os multiprocessadores que já são fabricados para nem serem usados de tão fáceis de escangalharem, já virou lenda. É copo que racha, tampa que quebra ou simplesmente nunca mais liga sem muita explicação. Não posso deixar de mencionar que estes aparelhos são geralmente projetados por quem nunca lavou equipamento de cozinha. Sempre deixam cantinhos pontiagudos cortantes e sem nenhum acesso ou peças que se desmontam e dificilmente voltam pro seu original após limpezas mais pesadas. Tenho pena de mãe de designer industrial. Você já olhou com atenção e bem de perto para uma torradeira, assadeira ou um grill destes futuristas em uso? É quase inacreditável o que fica de resíduo num aparelho destes. Limpeza só com muito esfregão e força física.

Fogões e microondas são a mesma coisa, o primeiro se desmonta e enferruja tão rápido que nem precisa morar perto de praia e o micro fica enlouquecido antes de ser aposentado, fazendo o que quer quando se precisa esquentar uma simples comidinha.

Lembram-se dos vídeos cassetes? Quem tem um funcionando em casa merece um premio, se é que tem premio pra quem preserva tecnologia em desuso. Primeiro ele pára de gravar, depois começam a sujar a cabeça e as fitas dos seus filmes prediletos e por fim, morre feito um passarinho.

Telefones celulares são o mais bacanas. A cada semana se lança um novo produto com novas tecnologias e a cada vez elas param de funcionar o mais rápido possível. Como ninguém fica muito tempo sem trocar o celular não nota a merda que são os novos aparelhos. Eu que sou um cafona, ficando com o mesmo até secar e olha que seca rapidinho. Já troquei umas dezenas de vezes de aparelhinho.

Sou arquiteto de formação e moro numa casa de mais de cem anos de construída e falo com propriedade, nada dura tanto hoje em dia em termos de material de construção e decoração. Tubulações que ficavam ate cair, caem antes de envelhecer. Torneiras se enferrujam muito rápido aparentando ser centenária em apenas algumas centenas de meses. Mobiliário? Esses se forem comprados em boas lojas até ficam pra titia, mas os mais populares não aguentam um filminho mais agitado em família ou uma amiga afoita e fofinha em dia de festa. Quebra e pronto e lá se foi o seu sofá. Cadeiras rangem cedo demais. Estantes não aquentam os livros para o qual foi projetada e gavetas param de correr quando são muito usadas (estranho não poder usar gaveta só para preservá-las). Piso de cerâmica fica com cara de piso grego do tempo de Sócrates em menos de um ano, imagina quando fizer mil anos, vai voltar a ser pó e nada mais.

Este computador em qual digito tem quatro meses de adquirido e já foi três vezes ao conserto, ainda estando com o mesmo defeito. Simples como mel. Já vem bichado de fábrica e a cada passagem na concessionária do fabricante eles descobrem mais um defeito que sempre retorna depois de consertado. Quero devolver o aparelho e trocar por um bloquinho de papel bem coloridinho com porta lápis pra não dar zebra e voltar a cozinhar em fogão a lenha.

De Gang

Foto: O novo lixo tecnologico. O que fazer com tanta porcaria?
(Fotomontagem by De Gang)
(20 FEV 10)
date
 

Momento Sem Noção


January 22nd, 2010

Jornal De Gang
(35)

Momento Sem Noção

Se cobrir vira circo, se fechar vira hospício”

(frase tirada do facebook)

Como é dificil conviver!!!

Não sei se é puro azar ou se a onda agora é dos sem noção. Quase todas as festas que tenho frequentado estão repletas desta gente que perdeu alguma coisa no passado e que não consegue achar mais em agrupamentos sociais.

Tem a turma do chega cedo, bebe todas e já lasca logo um bom Raul no sofá ou no meio da sala mesmo. Vomitar em banheiros está meio fora de moda a não ser que seja na pia bem decorada do anfitrião ou no box do chuveiro - local alias nada adequado pra tal despejo. Gente! Chuveiro é para limpeza e não para descarga! Por fim sempre pinta uma amiga camarada para limpar a sujeira feita pelo queridíssimo amigo da onça e tome de pano sujo entupindo tanques de lavar roupas ou pequenas pias de lavabos. Cruzes, que cruz é essa de limpar merdas alheias? Essas almas caridosas mereciam um espaço especial no céu só pra elas, bem longe de seus amigos vomitões.

Quando chega ao quesito levar bebidas o bicho pega legal. Quem leva uma latinha de mate leão, já na metade, quer beber todo o seu whisky 12 anos e o restante que caso consiga achar na dispensa. Se levam cervejas baratas e quentes só pegam as estupidamente geladas deixando sua sacolinha num canto esquecida bem longe da geladeira. Tem os que não levam nada e querem beber o mundo. Se der bobeira vão até os detergentes e perfumes para drinks maravilhosos. Não escapa nem a cisterna. Geralmente são os últimos a sair por não encontrar mais nada úmido na casa.

Os lariquentos já são de praxe, não saem da frente da mesa, comendo tudo só deixando migalhas para quem não esta disponível para um debate sobre a importância da maconha no mundo moderno. Se você precisa de um tira gosto no meio da noite o melhor é comer algo antes de sair de casa. Assim evita o constrangimento de catar farelos nas bandejas do buffet.

Banheiro já é complicado quando se esta sozinho imagina em grandes agrupamentos onde nem sempre este local é usado para o qual foi projetado. Tem os que passam mal e ficam horas trancadas estragando o recinto com coisas regeitadas pelo corpo. A turma das drogas ilícitas é a pior, pois invade banheiros em tropas lá ficando e se revezam com novos parceiros até você perder a linha e esmurrar portas antes que urine nas calças. Tem os bens mais safos que fazem suas necessidades no jardim mesmo deixando um cheiro horrível no dia seguinte, fora as plantas que não sobrevivem a tanta uréia.

Droga já é um pé no saco, estragando festinhas pior ainda. Tem os amiguinhos caras-de-pau que levam seus traficantes bonzinhos a tira colo quando não vem na cola investigadores ocultos ou o equivalente. É um tal de gente com cara de culpado, de vitimas (aquelas que levam bolo dos amigos na hora da divisão), os que ficam realmente abobalhados pelo excesso de misturas que fazem na noite e por fim a multidão de zumbis que vira a festa depois de algum tempo. Morte às drogas!

Não podemos esquecer os verdadeiros sem noção que chegam berrando, bebendo rápido e ficando no modelo vomita tudo ou se no caso for da ala dos carentes (sempre são), que logo vão ficando a fim de todo mundo, perturbando a paz de muitos até passar a mão na bunda de alguém com dono e começar uma grande confusão. Tem sempre uma gatinha ou a bichinha de plantão para ser a isca destas brigas em festas.

Os desta facção adoram puxar dancinhas esdrúxulas a La Gretchen terminando no famigerado trenzinho contagiando todos a bordo. Isso, quando não excitam a turma a tirar roupas mostrando corpos nada legais de se ver em público, ainda mais dançando e rebolando como velhas chacretes. Tem uma turma especializada em fuçar armários à procura de ingredientes para refeições rápidas e individuais em sua cozinha. Já tive até uma penetra que tomou banho em minha casa, se secou com minha toalha e me pediu roupas limpas, pois estavam fedidas as suas. Por fim dormem em seu sofá ou quem sabe na sua cama bem sem cerimônia só acordando depois de muitas cutucadas e tosses forçadas.

Ate os DJs pecam em suas performances. Equalizam mal o som fazendo o que normalmente é um equipamento modesto virar um super maquina de grandes raves, distorcendo tudo e estremecendo o ambiente que não aquenta o tranco de tanta musica animadinha. É normal ou a tendência é de som vibrando tímpanos não preparados? Mesmo com pedidos repetidos dos responsáveis pela local o som sempre volta para a máxima potencia, trazendo a visita constante de porteiros, síndicos, vizinhos chatos e por fim a gloriosa policia armada com sua educação e delicadeza de sempre finalizando uma festa antecipadamente, o que seria evitado se o volume estivesse no razoável não encurtando a alegria de todos.

Estou entrando na era das festas só a de velórios, pois assim o festejado jamais pagara mico em sua própria festa.

De Gang

Foto: Nem sempre a coisa fica divertida.
(Montagem de De Gang)

(22 JAN 10)

date
 

Momento Loucura de Natal


December 21st, 2009

Jornal De Gang
(34)

Momento Loucura de Natal

“Eu não sei o que quero ser, mas sei muito bem o que não quero me tornar”

(Friedrich Nietzsche)

Como entender um velho gordo de pijamas voando de trenó

E lá vem ele… Papai Noel, um velho vestindo estranho pijama vermelho (seria um comunista?), quente demais. Que vem num trenó voador (cruzes, trenó tem aerodinâmica para isso? Se ainda fosse um balão?), puxado por renas (agora sim começa a alucinação, rena voadora só com muito chá de cogumelo), que desce pela chaminé de sua casa (não tenho e nunca vi uma aqui na minha cidade), trazendo a bicicleta tão esperada (bicicleta não passa em uma chaminé e nem mesmo um velho gordo. Só mesmo em chaminés de hidroelétricas).

Primeiro: como ele desce chaminés sem corda ou escadas e sendo gordo como retorna ao telhado sem quebrar nenhuma telha?

Segundo: onde fica estacionado o tal do trenó e suas renas? Porque nunca vimos o cocô das renas nas telhas, já que estes bichos defecam demais como maioria dos quadrúpedes?

Terceiro: como consegue carregar o presente de um planeta inteiro num saco e entrega tudo no mesmo dia e hora? Deveria aproveitar e pegar algumas dicas para o nosso lamentável correios e telégrafos que não conseguem entregar nem uma simples carta sem atrasos.

A gente quando criança tem que ser um gênio para entender este tipo de história, e ainda por cima engolir o fato de nem sempre vir aquele presente tão sonhado e sim o presente tão favorável ao bolso dos seus pais. Já não basta ter que engolir o Coelho da Páscoa que põem ovo de chocolate e ainda consegue embrulhar com papel bonito e rechear o tal com balas e mil coisas miúdas?

O Papai Noel foi fácil desmascarar. Quando ainda criança, eu e meus irmãos, decidimos improvisar com pregos e arames, uma rede no rodapé do corredor da casa. A engenhoca pega-noel funcionou muito bem, o que deu errado foi que o falso presenteador, que era nosso pai obviamente, nos proibiu de brincar com os presentes por uma semana em troca dos hematomas ganhos na traquinagem. Já para o coelho, fizemos um rodízio de vigília na janela do quarto, sendo que pra isso precisava ficar na ponta dos pés olhando o jardim a noite inteira. Coisa bem difícil para uma criança, ficar na ponta do pé e não dormir nesta posição sem cair da janela. Pela manhã descobrimos a mãe escondendo ovos atrás de vasos e ela nem se preocupou em colocar umas orelhas pontudas para disfarçar. Acho que esta revelação foi a pior, pois no Natal sempre dávamos uma geral na casa a procura de presentes escondidos. Teve períodos em que até a casa dos vizinhos eram investigadas, já que morávamos em um bairro com muitas crianças e em reuniões secretas eram formadas equipes de busca ao presente na casa de todos os amiguinhos. Como sempre os encontrava, brincávamos um pouco às escondidas e depois devidamente reembrulhados, eram guardados nos seus devidos lugares para se fingir surpresa ao abri-los, e como não tínhamos chaminés dava pra acreditar num Noel adiantado concomunado com nossos pais. Mas o coelhinho foi sacanagem.

Quem inventou essa baboseira nunca se preocupou com os traumas que isso gera na cabecinha miúda de gente maluquinha como eu e meus manos.

Em tempo, já notou que quem cuida da decoração natalina na maioria da cidade são porteiros com a sua tradicional falta de imaginação na hora de colocar as luzinhas piscantes em árvores e grades? Sempre aparece um boneco meio empoeirado para destoar no gramado, com renas fora da escala, menino Jesus gigante e animais que nunca estariam perto da manjedoura naquela época. Já vi jacarés, girafas, ursos e até dinossauros em presépios. Como árvores falsas são feias vistas de perto. Parecem aquelas escovas de lavar copos que era moda há tempos atrás. Mesmo na era do falso fabricado na China, não se inventou uma arvore descente para decorar nossas casas com mais realidade e dignidade.

Ainda prefiro comemorar o Natal não comemorando nada, o que sempre dá certo.

Feliz Natal a todos…

De Gang

Foto: Nem pense em pousar no meu telhado. Velho tarado.
(Montagem de De Gang)

(21 DEZ 09)
date
 

Momento Vizinhos


November 19th, 2009

Jornal De Gang
(33)

Momento Vizinhos

”Por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima”

Dercy Gonçalves.


A difícil arte de conviver com estranhos a sua volta…


Moro há muito tempo numa antiga casa num tradicional bairro do Rio de Janeiro, e guardo na lembrança imagens lindas desta agradável rua. Ao meu lado onde ainda mora minha tia-avó, lembro de um grande jardim com uma velha mangueira que nos dava bons frutos o ano inteiro. Ambos não existem mais, pois tudo foi trocado por um cimentado sem graça a não ser o de enfear o entorno da grande casa. Mais ao lado um casarão com duas simpáticas senhoras que dão aulas de musica, uma de canto outra de piano, que nos valia tardes de belas musicas e nem sempre de belas vozes. Mas quem se importava? Do outro lado uma casa feiosa com vizinhos itinerantes, mas não menos interessantes. De inicio uma família espanhola com muitos filhos da minha faixa etária que rendiam boas brincadeiras com o meu antigo autorama ou em nossa piscina de plástico, montada no jardim todos os verões. O acesso era geralmente feito por uma passagem pelo telhado onde existia uma comunicação entre as casas. Tempos depois virou moradia temporária da família de portugueses que morava na estranha residência situada a frente da minha, que iniciava uma demorada reforma, fazendo da já mencionada estranha casa virar depois de pronta, numa estranha casa moderna. Mesmo antes ou depois da reforma, esta casa sempre foi palco de grandes e animadas festas e muito papo furado na sua varanda e garagem. Por um curto período, a casa feiosa do lado teve montada uma sauna para executivos, que nos trouxe um pouco de barulho e infiltrações, mas como ficou muito pouco tempo logo foi esquecida, fora um dia em que uma galinha viva caiu no meu quintal sendo resgatado por uma mocinha de shortinho e sutiã rosa que nos confessou em lágrimas que a ave tinha sido o ultimo presente de sua falecida mãe. Engraçado uma galinha ser salva por uma piranha.

Nos fundos uma casa numa parte mais alta da rua, onde só se via uma garagem silenciosa de onde subindo em seu portão eu podia ver meu telhado, jardim e a boa e querida piscina de plástico.

Na minha esquina já bem freguentada por todos os visinhos existe um botequim estilo pé-sujo e do outro lado um boteco freguentado por todos os bêbados de pé sujos da região. Perto o típico barbeiro que cortou a maquina nº4 o meu cabelo até a pouco tempo (hoje tenho minha própria maquina), e a farmácia com sua balança na porta que sempre era visitada para se confirmar se continuava magro como pluma. Na subida da rua um centenário e discretíssimo prostibulo, com suas putas e freqüentadores que nunca eram reconhecidos pelos moradores, tamanha a discrição.

Hoje em dia os bares se multiplicaram. O já tradicional ficou mais tradicional ainda e os concorrentes seguiram na cola do pé-sujo mais na moda do bairro. O barbeiro continua lá só que fechado com ar condicionado, melhorando muito a espera com revistas ‘Caras’ e ‘Quem’ antigas e o bom papo com os simpáticos barbeiros. A farmácia agora tem muitos letreiros de plástico meio cafona, mas eficiente pra atrair vendas, ganhando como vizinhos, uma casa lotérica, muitos estúdios moderninhos, antiquários amigos, restaurantes bacaninhas e pequenos escritórios. A única coisa que mudou mesmo para pior foi os meus vizinhos de entorno.

A minha tia sempre alugou vagas para moças, e como esta muito velhinha (97 anos completos, sem memória alguma e dura como pedra), alugou um quarto para uma senhora que aos poucos foi expulsando antigas moradoras, trazendo toda a sua família nordestina, junto com os problemas típicos de famílias grandes e confusas. O que antes era uma pacata casa de velhinhas virou em pouco tempo, um festival de brigas entre mãe e filhos, irmão e irmã, marido e mulher, cães e gatos, vento e ar, pires e xícaras, ou seja, tudo é motivo de brigas nesta casa. Já várias vezes a policia teve que entrar em sena com gente gritando e sendo expulsa a tapas e safanões.

A musica, como não poderia deixar de ser, é alta, chata e de péssimo gosto, agora acrescentada de musicas religiosa, já que quase todas as mulheres se converteram a religiões de gente chata como elas. E tome, musica de Deus brega versus funk favela, passando pelo sertanejo e o pagodão de praxe. Tem um do bando que escuta “Olhos nos Olhos” da Bethânia umas dezenas de vezes ao dia, por meses, sempre em horários espaçados para a gente não deixar de perceber como é chato a dor de corno alheio.

A casa do outro lado virou um deposito de uma floricultura de festas de onde cai muito objeto esquisito de decoração de metal e ratos que lá moram e vem catar comida na minha área. Tenho até pena dos bichinhos que só tem poeira e vaso de planta vazio como companhia.

O vizinho de cima agora é um habitante da garagem, que abrindo uma janela sobre mim, virou um confortável cafofo com cozinha externa e tudo, de onde caem embalagens de comida, vasinhos de flores já secos e de saquinhos de filtro de café usado, amarrados em sacos plásticos que são arremessados no meu telhado entupindo calhas e quebrando telhas, isso quando não são coisas mais pesadas e estranhas que aparecem sobre o meu telhado. Muito fofo o meu vizinho. Fora isso ele joga de volta as folhas e galhos que caem da minha arvore ao meu jardim. Será que ele recolhe e devolve à prefeitura as folhas caídas das muitas arvorem da rua ou entrega diretamente ao poderoso Deus de minhas chatas e religiosas vizinhas.

O antigo puteiro agora é uma famosa casa de festas com samba quase que todos os dias, que traz um povo animado, carnavalesco e feliz que desce toda a madrugada aos berros e urinando a rua inteira num ato de total displicência com quem dorme a sua noite de descanso. Seria a musica alta, que faz o sambista de meia tigela gritar ou é ordem dos festeiros para que desçam sinalizando que irão passar em sua porta para que saibam que eles se divertiram o suficiente?

Se essa rua fosse minha, poria todo mundo pra correr e montaria novamente uma piscina de plástico só que no meio da rua desta vez.

De Gang.

Foto: A galinha é presente da mama…

(Montagem de De Gang)

(19 NOV 09)

date
 

Momento Deselegância


October 21st, 2009

Jornal De Gang
(32)

Momento Deselegância

Piranhas são as outras, recalcadas! Você só está cumprindo sua missão na Terra, com esse corpo incrível!


Pretinho básico não é tudo na vida. Fica só faltando a imaginação.

Fui dias atrás convidado para uma festa Black Tie, coisa rara nesta cidade maravilhosa. Como quase todo mundo, não fui de smoking, mas rapidamente produzi um look super bacana e elegante que me deixou bem adequado para o momento sem quebrar regras ou ficar fora do páreo numa noite de festejos tão fino. Constatei que: Primeiro o carioca adora emperrar em festas, onde se poderia ir bem arrumado se vai bem esculhambado. Segundo, a mulherada, numa grande maioria, acha que pretinho básico é a solução para tudo na vida, só esquecendo que, pra se vestir um básico precisa-se de complementos para que o básico não as engulam de vez. Chanel criou o tubinho preto, mas sempre acompanhado por muitas pérolas.

O local da festa era lindo, muito espaçoso, bem montado, com um Buffet maravilhoso, só pecando pelo caldinho de peixe que insistiam em oferecer em grande escala a todos que lá chegavam, dando um cheiro de maresia estranho ao local.

A turma do tênis, camiseta e jeans nunca falta, sendo o mais grave é que além do visual “tó-nem-ai”, a cara de “me-dei-bem-com-whiskinho-na-mão”, ficar rindo e debochando de todos os que não praticavam o casual chato, é o fim da picada. Essa é a galera típica em festas. Os penetras e descolados de ultima hora, que estão sempre na frente de todos, com a roupa de ontem, comendo todas e bebendo até cair. Fiquei perto de três rapazes bem jovens, talvez filhos do dono. Um vestia camiseta pólo, outro uma camisa social de manga curta sobre t-shirt de manga comprida e o ultimo uma t-shirt bem comum com estampa bem boba. Todos de calças jeans bem desbotadas e tênis novos e bem caros. Eles riam de tudo e de todos, o que eu não conseguia entender era o motivo, já que eram eles os destoados do local. Tinha até um carinha de quem não sai de uma academia que envergava a sua famigerada regata vermelha com a maior segurança do mundo, lembrando que o dia estava levemente frio e o local bem aclimatado, não permitindo a desculpa do calor como apelativo para desnudamentos.

Tem o bando das “patricinhas-super-vitimas-de-moda” que entram em patotas (nesta festa tinham poucas, o que me pareceu estranho, a não ser o fato de que num evento ligado a cinema a patrícia vitima de moda não, ou não entenda esta arte?). A maioria vestida de tomara-que-caia muito curto, que é o hit do momento (tendênciaaaaaaa), abalonado ou franzido dando um aspecto de barrilzinho fashion. Muito cabelo, muita tintura, muito gloss, saltos muito altos fazendo aquela caminhada de ganso e sempre um telefone celular na mão. Patrícia fala o tempo todo em celulares até mesmo com a amiga do lado.

O gritante mesmo desta noite era a quantidade de mulheres com o pretinho básico, ora curto com alcinhas brilhosas, ora longo com alcinhas brilhosas (brilhos miúdos e bobinhos sem graça imperam em pretinhos básicos). Acompanhado quase que sempre de xales, panos que pareciam xales ou casaquinhos antigos, tipo coisa herdada da mãe ou tia, já meio fora de moda, mas bom pra esconder alçinhas com strass e ombrinhos friorentos. Nada de penteados, nada de maquiagens, nada de acessório e nada de glamour. Senti que numa grande maioria tem medo do ficar belo ou de ficar magnânimo. Elimina-se o máximo de informação para se ter o máximo do sem sal. Eram poucas as que chamavam atenção ou brilhavam pela escolha do que vestiam. Geralmente eram roupas estranhas em corpos não preparados para tal, ficando aquela sensação de desconforto de ver gente segurando pontas para se exibirem em público. O que tinha de vestidos esquisitos não estava no mapa. Não sei como se acham tais vestidos e como se pagam por tal esquisitice. Eram pra ser dados de graça pelos seus fabricantes.

Estar bem vestido, ser único, estar elegante ou estar impecavelmente maravilhoso é tão bom quanto estar feliz.

E viva o estilo!!!

De Gang.

.

Foto: Porta de entrada de festa black-tie. Será que estou cagada???

(Montagem de De Gang)
(20 OUT 09)
date
 

Momento TV Velha


September 13th, 2009

Jornal De Gang
(31)

Momento TV Velha 

Para não dançar feio. Meia não é calçinha. Rock não é rôla. Banda não é rouge. Assaravá. Nhá!!

(Pai Lolô - Aloisio de Abreu)

Porque a televisão anda tão velha e antiguada?

Vocês já perceberam que a programação da televisão em geral, principalmente a da TV aberta, está cada vez mais antiquada? Tudo tem cara de coisa que víamos desde o tempo em que a imagem era só em preto e branco. Não mudou muito o visual e a intenção mesmo com mil cores na nossa telinha.

Ainda insistem o famigerado auditório com dançarinas sexuais, de roupinhas mínimas, rebolando sem parar, mesmo sem musica. Os cenários continuam falsos, purpurinados, plastificados e de gosto bem duvidoso, típico dos antigos programas de calouros a La Carlos Imperial. Mesmo com as super telas de plasma que servem de fundo, ainda se vêem o estilo cafona de velhos programas.

Vira e volta, temos o insistente sofá com convidados desajeitados (pois é difícil ficar sentado de frente para todo o país sem deixar a pessoa desconfortável) intercalados por cantores e dançarinos boboquinhas da nova safra de astros da MPB (astros???), que teimam em fazer a gente sentir um pouco de vergonha por sermos da raça humana. Entrevistados nem sempre ilustres, que repetem o mesmo texto em todos os programas e entrevistadores fofinhos que adoram interromper respostas com coisas risíveis e pouco ilustrativas, isso quando não são famílias inteiras sentadas em cadeiras, lavando a roupa suja em plena rede nacional. É o fim da picada ver gente humilde se humilhar na telinha da TV com hora marcada e banhinho tomado.

Ainda existem programas com mulheres bonitas ou não, novas ou bem velhinhas, vestidas de longo com muito brilho, sorrisos forçados e cara de boneca de plástico, que falam, falam, falam sem parar até deixar você sem graça de tanta abobrinha dita. A loura burra ainda é moda na TV brasileira e nem sempre a loura é 100% loura!

Nos telejornais colocam seus jornalistas em grande mesas futuristas esquisitonas, estilo sala de comando da Enterprise, da memorável “Jornada nas estrelas”, e como fundo um escritório mequetrefe qualquer, com gente comum passando pra lá e pra cá, só que sem o restante da nave espacial. O pior é quando aparecem janelonas falsas com cidades fotografadas que não diz nada além de que o mundo paralisou lá fora.

Na ala humorística, ainda se insiste no humor do tempo da Rádio, ou seja, muita piada velha, muito personagem caricato e muitos bordões repetitivos. Os personagens acabam sempre na ridicularização de bichas-pão-com-ovo, mulheres-boazudas-ignorantes, homens-feios-espertinhos, nordestinos-sem-noção, negros-abestalhados e todo tipo de perfil pra lá de gastos pelos humoristas antigos. Escolinhas e pracinhas já deram o que tinha que dar! E ver o mesmo indivíduo repetindo a mesma frase por anos a fio, cansa feito comer canja todo dia.

Programas de perguntas e respostas é a coisa mais velha do mundo e ver roletas coloridas, bolas numeradas saindo de cestas rotativas, escolha de placas desenhadas e o diabo a quatro é o fim da falta de originalidade. Já vi ate atores televisivos jogando dominó ao vivo. Tem coisa mais démodé??? Acertar bolinhas em buracos, andar de bicicletinha ou cair em piscininhas de plástico é um saco de se ver, ainda mais num tempo pseudo-moderno com coisas mais sérias para se resolver.

Até criançinhas tagarelas, vestidas de “Que fim levou Baby Jane”, somos obrigados a aturar. Apresentadora infantil é sempre a mesma coisa: louras, burrinhas, infantilizadas e cheias de xiadinhos esquisitos na fala. Até a mestra das mestras mantém os moldes antigos só mudando o figurino criança-piranha para adolescente-piranha. Só me falta encontrarem uma sósia da Doris Day para apresentar coisas na tevê! Não posso esquecer as mulheres quase que mumificadas, com bichinhos de espuma que falam e cozinhas lindonas (totalmente falsas) nas horas matinais. Tenho medo de suflê que entra gelado e sai quente num piscar de olhos.

Os Reality Shows não mudaram muito os moldes caretas da televisão, muito pelo contrário, as figuras são obvias, carimbadas e fáceis de enjoar, já que não rola muita variação de um mavambo marrento para um outro do mesmo porte, assim como uma boazuda tolinha e turbinada para outra. Confinamentos forçados que eles juram ser verdadeiros e naturais me deixa de cabelo em pé. O que pode um fortão anabolizado ou uma patricinha ciliconizada acrescentar de novo na vida de alguma pessoa?

Novelas refeitas ou de época já falada, de paisagens de interiores já surrados ou com o mesmo tema de novelas anteriores é foda, mas novela moderna parecendo ser mexicana aos moldes vinte anos atrás é o fim do mundo. Às vezes prefiro ver as originais, cafonas, coloridas e engraçadas de tão brega.

Até nos comerciais vemos o passado retornando com marchinhas cafonas, garotas rebolativas vendendo chamadas telefônicas ou modelos risonhas vendendo remédios milagrosos neste século 21. E as jóias vagabundas em dedos trêmulos com um cara repetindo em off o quanto vantajoso é comprar jóia tão feia? Parece a idade da pedra da publicidade. No canal concorrente eterno temos casais com caras estranhas que anunciam coisas dançando uma discotequinha breguinha e sem sentido já que o que vendem não tem nenhuma relação com a dança ou com a volta do Travolta.

Acho que vou transformar minha TV num aquário de peixes. Pelo menos assim não me sinto fora da época mesmo vendo peixes fazendo o que os BBB fazem na vida.

De Gang

Foto: A TV é de plasma, mas os tempos são da vovó…

(Montagem de De Gang)


(12 SET 09)
date
 

Momento Torcida Desorganizada


August 5th, 2009

Jornal De Gang
(30)


Momento Torcida Desorganizada
“Deixei de ser branca para ser franca”
(frase sempre dita por uma querida amiga)

Como entender o mundo do futebol…

Eu acho esporte muito divertido, principalmente se você pode praticá-lo. Agora, platéia organizada torcendo desesperadamente já é demais. A onda do torcedor de futebol voltou com força total, mostrando que esta modalidade esportiva ainda é a mais querida do povão. Bacana, mas não sei se os torcedores são os mesmos em todos os lugares. Aqui em Laranjeiras onde moro a coisa é bem esquisitinha. Os jogos são semanais (não sei se foi sempre assim, mas mesmo não sabendo eu sinto que seja), em cada jogo uma multidão de vizinhos berra em suas lindas janelas e varandas (a cada gol, término de tempo ou partida ou qualquer coisa ruim que aconteça no campo que eu não sei explicar) e em qualquer horário do dia ou da noite. Não sei exatamente de onde vem essa algazarra, mas os escuto com clareza e perfeição. Torcer fervorosamente é muito legal. Se emocionar aos prantos por um gol é legalzinho. Xingar o mundo pela janela é bem babaquinha. O povo grita, berra, esgoela, urra por qualquer motivo! E o mais pitoresco é que se xingam mutuamente, como se fosse uma guerra pessoal entre vizinhos. É a exposição intima de seus passados ocultos, ou a intimidade com as mães alheias que dá até arrepios.

Num destes domingos no final de uma partida escutamos eu e meu sócio um urro gutural que estremeceu a casa e a rua inteira de uma torcedora feminina com o clássico ‘nêeeeeenseee’. Era tão alto e rouco que pensamos ser o descongelamento de um torcedor das cavernas se comunicando com o mundo após longo tempo de inércia. Eu juro, até as janelas tremeram. Essa menina deveria ser um híbrido entre urso polar e ser humano do gênero feminino meio desgostoso com esta realidade. No prédio onde mora, no mínimo deve ter acontecido rachaduras estruturais ou queda de ladrilhos, tamanho o grito da mocinha de neandertal.

O mais comum mesmo é se ofender mutuamente, do tipo “cala boca filho da puta” ou “vai tomar naqueles orifícios” e por ai vai… Teve no mais recente jogo o luxo de um único anônimo mandar todo o torcedor flamenguista dormir, acompanhado de um elogio às suas queridas mães. Provavelmente o torcedor não era muito festivo com este time. Como resposta ele teve o clássico “vai tomar naquele lugar” e muitos outros xingamentos respondidos por uma pequena multidão. Era puro exemplo de cidadania e respeito a todos. Nunca vi tanta educação de um ser que se diz humano na minha vida. O mais estranho é o tom de voz que estes mega gritões colocam em suas gargantas. O som é de um urso panda em perigo versos trombada de navio. Com um grito destes se poderia cantar ópera em casa sem precisar ir ao teatro, já que todo o bairro ouviria com clareza. As crianças são as mais eficientes. Acompanhando o incentivo dos maiores, elas gritam com muito mais potência do que os adultos e como manda o figurino, com ofensas mais escalafobéticas do que os pais a instruíram.

Numa certa noite ao sair de casa (coisa que evito em dia de jogo), um ônibus cheio de possíveis torcedores ficou retido por um carro que se complicava ao estacionar, fazendo seus passageiros colocarem as cabeças pra fora das janelas e começarem um festival de palavrões e ofensas a outros torcedores já que na mesma esquina existe um bar com sua TV ligada a espera do tal jogo com seus freqüentadores vestidos a caráter a espera de um possível convite para participar da jogada, tal qual ficam os reservas no campo. Seria esse o motivo que todo mundo sai de jogador de futebol nas ruas???

Em miúdos, tive que me esconder atrás de uma banca de jornal até o maldito ônibus seguir sua viagem, evitando dar molho aos xingamentos estilo esporte espetacular versos transeunte que não sabe o que está acontecendo no mundo.

Já vi até torcedor enfurecido correndo atrás de ônibus de torcida organizada gritando e latindo, chutando pneu igual a cães que correm atrás de carros em estradas. Muito irritante ver iguais se comportando feito bicho, e o pior, emitindo ruído como os mesmos.

Se cada torcedor ganhasse uma moeda por cada grito durante um jogo ou participação nos lucros do que se arrecada em cada partida, teria alguma lógica sofrer tanto. Um tipo de direito autoral pelo gol feito.

No resto do mundo e em paises mais civilizados existem torcidas que se matam, se agridem e incendeiam tudo como era feito na idade média e nas guerras de tribos. É muito reconfortante ver paises ricos com mentalidades da idade da pedra no que diz respeito a esportes. E ainda ousam nos chamar de terceiro mundo.

Torcer por algum time se tornou algo perigoso, é mais fácil enfrentar leões famintos do que fazer parte de jogadores frustrados que se unem em hordas para ver seu time ganhar.

De Gang

Foto: “O torcedor de neandertal moderno…”
(Montagem de De Gang)

(05 AGO 09)
date
 

Momento Fino Grosso


June 12th, 2009

Jornal De Gang
(29)




Momentos Fino Grosso 
Já que tudo está na nossa cabeça, é melhor a gente não perdê-la.”
Coco Chanel

Como é difícil a vida de frequentador!!!

No terceiro dia do Fashion Rio (domingo, dia 07 de junho de 2009) fui impedido de entrar por um segurança chefe (acho que era esse o seu cargo, pela sua prepotência). Mesmo com a pulseira de um dos apoiadores do evento, que nos dava o direito ao acesso em seu stand naquele dia, não nos daria o direito de acesso ao evento do mesmo dia, ou seja, você pode entrar só não passa da porta, tipo vai ao meu apartamento, mas não entra na minha portaria. Fui colocado eu e mais quatro amigos ao lado a espera de solução. Depois de alguns constrangedores minutos, o mesmo segurança chefe (o poderoso chefão), liberou nossa entrada por perceber que tínhamos o crachá do Business. Ao passar com o dito crachá preso no cós do cinto, o pitbull de terno me segurou e ordenou que colocasse o mesmo no pescoço, e ainda ordenou ao estilo blitz policial, que fosse à altura em que pudessem ser visto. Entrei segurando o tal crachá na mão e por não obedecer ao mencionado cidadão, fui proibido de entrar com o som de “barra ele”. Olhei para frente e vi outro segurança atônito vendo a absurda cena sem fazer exatamente nada. Coloquei o cordão no pescoço, passei e o retirei logo após, pois nada no mundo obriga uma pessoa a pendurar coisas em seu corpo sem ser de total utilidade, ainda mais um cordão feioso com um papel igualmente feioso, num local onde se fala de estilo. Se o evento pretende ser de moda, que cuidem melhor de seus convidados.

Sou totalmente contra ao estilo brutamonte como segurança de casas noturnas e estabelecimentos de lazer, principalmente os de locais de diversão. Ter um homem treinado para impedir tumultos é uma coisa usar da força para mostrar poder é outra.

Ter estabelecimentos refinados com truculência na portaria é muito feio e isso vai de contra ao estilo que estes casas se propõem a ser. Já vi muita confusão em entradas de boates e bares. Em festas pior ainda, pois tem sempre um meganha te olhando de cara feia, não se preocupando que esta ação só nos causa medo e receio de estar realmente seguro. Segurança é para proteger e não assustar.

Essa era dos finos grossos, esta muito mais forte agora do que antes. Quase sempre em agrupamentos sociais nos deparamos com pessoas com este perfil. Finas, elegantes, bem entrosadas no meio, mas com um exagero de grosserias que fariam inveja a um estivado ou lenhador de filmes antigos.

Certa vez fui convidado para uma festa de uma agência de modelos de uma querida amiga e parceira. A boate era no elegante bairro do Leblon, e o número de convidados muito bem selecionado. Ao chegar acompanhado de meu sócio, encontramos um pequeno agrupamento na porta. Fomos recebidos por uma linda recepcionista que nos localizou em sua lista e educadamente nos pediu para que esperasse um pouco, pois o local estava extremamente cheio e que aguardássemos a saída de alguns convidados. Sem problemas ficamos ao lado conversando com outros que ali esperavam. Num certo momento aparece na porta uma coisa roliça, vestindo um famigerado pretinho básico, cabelos longos, mal tratados e de cor louro falso, com aqueles aparelhos de escuta no ouvido, gritando em bom som que não entraria ninguém na merda daquela festa e selecionou meia dúzia de amigas e as empurrou para dentro furando uma possível fila. A recepcionista mais uma vez educadamente, mas bem irritada, mencionou que já organizava a entrada de todos e que, com a intervenção da gritona estaria atrapalhando o seu critério. Daí a moça roliça-loura-surda-com voz de trovão gritou que era a promoter da casa e quem comandava a entrada era ela. No mesmo momento aparece a amiga que nos convidara indicando que todos entrassem principalmente eu e meu sócio, não dando ouvidos à promoter mal educada. Em resumo, como se contratam pessoas com este tipo de educação para receber convidados especiais em festas chiques? Que critério se escolhe ao definir quem fica na porta e quem da às ordens?

Se for pra ser fina, não é necessário ser grosso, pois educação se tem e não se compra. Berrar na porta não demonstra poder e sim falta de senso e dignidade.

Cuidado com os pitbull de terno na porta, eles costumam morder.

De Gang


Foto: “Pitbull de terno e madame que ladra”
(Fotomontagem by De Gang)



(12 JUN 09)

date
 

Momento Vestuário Masculino


May 10th, 2009

Jornal De Gang
(28)

 

 

 Momento Mapeamento da Indumentária Masculina 
 

 

 

É melhor chegar atrasado nesta vida do que adiantado na outra.

  

Dedicado a  turma do embagulha que eu gosto…

Como entender o vestuário dos homens!!!

(Mais um devaneio de um estilista, a fim de simplesmente detonar com o jeito meio boboca que nós homens nos vestimos, como foi feito anteriormente com as mulheres.) Vamos começar de baixo para cima.

 

Tênis: Aquelas coisas horrorosas, coloridas, espalhafatosas e cheios de detalhes desnecessários e ridículos que a homarada usa nos pés, quando não estão de chinelos.

O fato de calçar tênis, mesmo não estando numa olimpíada ou praticando algo que se assemelhe, não justifica aquelas aletas esquisitas, o excesso de cores, os volumes desajeitados e uma montanha de informação nos calçados esportivos. Eu sei que tudo está relacionado ao desempenho dos ditos cujos, mas pra que tanta coisa? Têm modelos que mais parecem aqueles horrosos ferros de passar a vapor, com visores, múltiplas cores e recortes que na verdade não modifica nada só atrapalha a visão com tanta decoração. Vistos nos pés, esse dão uma dimensão maior do que a realidade, fazendo o efeito de pé de urso, ou melhor, o famoso pé grande, tão falado e nunca avistado. O calçado costuma ter solas tão esdrúxulas que quase sempre dão o aspecto de queijo derretido na chapa. Fora os bodoques e bolotas extras que alguns fabricantes colocam dizendo ser freios ou amortecedores. Isso tudo não poderia ficar embutido na sola sem precisar ficar saltando a vista pra provar que funciona?

E por fim, tênis no calor só serve pra dar chulé…

 

Chinelos: O substituto dos tênis, só que feios e desajeitados como seus antecessores.

Ter pé bem tratado e limpinho é lindo de se ver num chinelinho simples e fresquinhos. Principalmente em casa, nas férias, nas praias, nos campos e etc… Agora o dia todo nas ruas e em qualquer lugar é uóóóóóó! O que tem de pé feio, mal tratado e esquisito não está no gibi, e o pior, em patinhas sujas, não dá para engolir mesmo!!!

Dedão à mostra só com muita boa vontade. Se caso você estiver num teatro, cinema, festa, show, evento cultural etc, os malditos chinelos comparecem a tudo, sem serem convidados.

 

Sapatos: Raros de se ver, mas geralmente feios e sem graça como os dois itens acima.

Como quase nunca os vemos, não tenho muito do que falar deste item masculino.

O que acontece com os fabricantes de calçados masculinos que nunca inovam e nos apresentam modelos que realmente crie o maravilhoso desejo de comprá-los? Se caso passo por uma loja de sapatos, acabo nem parando, pois quase tudo que está a venda ou já via décadas atrás, ou não uso nem morto, e na maioria das vezes, o que vejo é feio de matar, só combinando mesmo com o etilo cantores de bingo. Existe cantor de bingo???  

 

Cueca: O mesmo que a calcinha feminina só que grande, sem enfeites, sem charme e sem cores bonitinhas. Aparecendo o nome do fabricante bem grande quando for as de gente cuequeira.

Essa peça de roupa, que antes era para ser íntima e oculta está buscando um lugar ao sol, literalmente, já que ficam uma boa parte à luz do dia, não importando a bunda que nela se esconde, ou da qualidade e validade que este trapinho de roupa têm, e que somos obrigados a ver. Na ala gay, ela é importante para se saber o quanto seu usuário conhece moda, pois a grife vem sempre em primeiro plano não importando se essa mesma grife fabricou realmente esta calcinha de macho. Já no clima tribo de moderninhos, ela virou símbolo de liberdade podendo ficar até 50 % a vista, sem o perigo de só ser esta a única coisa vestida da cintura para baixo. Alem da função de cobrir bunda, a cueca passou a ter a famigerada função de pagar cofrinhos, pois estas estão, quase sempre, abaixo das cinturas, mostrando o rego de seus usuários.

Uma pergunta que não quer calar: Porque cueca? Se for para seguir uma lógica, a camiseta deveria se chamar peiteca, já que cobre o peito…

 

Bermuda: A única coisa que une o homem de todas as classes, já que são iguais e sem nenhuma originalidade visual, fora o erro na escolha de estampas, cores e o exagero de padronagens.

O homem moderno descobriu que com a bermuda ele pode dominar o mundo, daí para frente nunca mais colocou outra peça de roupa, nem para o casamento do seu patrão. Se bobear o patrão também se casará de bermudas, e das bem floridas.

A desculpa é sempre o conforto. Andar nu é muito confortável, mas nem assim seria um bom argumento para todo mundo sair pelado. Bermudas floridas são lindas, mas combinadas a camisetas estampadas é extremamente desagradável, esteticamente falando de se ver é claro. Ta bom, é confortável não se preocupar em combinar roupas, mas se preocupar em nunca combinar nada dá um trabalho danado. Êta gente complicada!!!

Outra coisa inexplicável, por exemplo, um homem moderno não admite usar uma calça rosa com medo de afetar sua masculinidade, mas usam bermudas com margaridas ou hibiscos gigantes no traseiro sem o menor problema. Flores não afetam o machismo, mas a cor da flor sim???

 

Calças: Idênticas às bermudas em feiúra, só que algumas bem compridas, excedendo nas bainhas, arrastando pelas ruas sujas seus excessos ou super justas, dando as pernas proporções de garças vestidas (calça skinner).

Algo que me impressiona bastante no costume da maneira de vestir do populacho é que na ala feminina as calças são geralmente números menores do que o corpo e já com os bofes o numero é muito maior do que realmente deveriam vestir. As mulheres apertam e os homens afrouxam. Gosto da combinação de esforços, assim um exagera e o outro simplifica. Casal unido jamais será vencido! Inclusive no estilo que é igualmente péssimo.

Essa onda de calça caindo perna abaixo já está enchendo o saquinho. Ver bundas na rua é foda, mas ficar na sensação de que você vai ver o cara sem calça é muito foda mesmo.

 

Camisa e camisetas: Aquilo que ele usa por cima do tórax, mas se o tal tórax for bombado em academias, a camisa ou camiseta estará dependurada no cós da calça.

Este item costuma ser dispensado com rapidez caso o seu usuário seja do time mamãe-tô-forte. Se caso não for, ele acaba tirando a camisa do mesmo jeito, por achar que pode peitar os peitudos. Tem a ala barriguda que sempre está morrendo de calor e se livrar de camisas com destreza de atletas que nunca foram. Já falei e repito, camisas e camisetas estampadas combinadas a bermudas também estampadas, só que em padrão bem oposto, está super na moda, pelo que vejo, só não foram para as passarelas ainda por falta de compreensão dos criadores de moda que não entendem essa mania esquisita do povão. Flores exóticas e bandeiras do timão nunca foram um conjunto de imagens bonitas de se ver.Isso tudo combinado a tênis metálicos multicoloridos com solas duplas e mega flúor é foda!

 

Chega de falar sobre homens, pois pra dar coió neles é muito fácil, já que a galera não faz por menos e sempre cria uma nova bizarrice para o meu deleite.

 

De Gang

 

Foto: Na duvida use tudo ao mesmo tempo…(2)
(Fotomontagem by De Gang)
 
 
(10 MAI 09)

date
 

Momento Vestuário Feminino


March 31st, 2009

Jornal De Gang
(27)

 Momento Mapeamento da Indumentária Feminina 

Ninguém faz tudo bonito sempre. Até Deus. Ele fez o cavalo e também o rinoceronte”.

(Vinicius de Moraes)

Como entender o vestuário das mulheres!

 

(Devaneio de um estilista sem idéias, a fim de pirar no que mais sabe fazer. Roupas…)

 

Vamos começar de baixo para cima.

 

Sapatos de salto: Protetores de pés com elevações nos calcanhares.

Porque tão altos? Seria uma necessidade da mulher de se sentir sempre por cima! Ou é para se precaver de enchentes, e possíveis alagamentos? Poderia-se com eles, pescar siris e espécimes rasteiros, tendo que para isso só fincar os pés em alagadiços e mangues?

Na verdade eles servem mesmo como armas. Eu sempre imagino um ladrão com um salto bem alto, atravessado na testa.

 

Meia-calça: Aquela coisa apertada parecida com calças que reveste também os pés, mas são transparentes, longas, finas, quase sempre na cor da pele.

Pra que usá-las se mal dá para percebê-las? Se bem que dá um aspecto bem bonito e aveludado a perna. Não seria melhor tratar da pele do que disfarçar com meias quentes e incômodas! Eu nunca usei uma, mas sempre fico imaginando como deve ser chato ter que ir a banheiros vestindo uma meia-calça. E se são usadas para proteger do frio, porque não cobrir as pernas com roupas mais longas, ou adequadas, em vez de deixar toda a perna de fora aos olhos dos curiosos?

 

Calcinhas: Peça intima já que estão bem próximas da área de lazer feminino.

Tão pequeninas, rendadas, bordadas, floridas e cheias de laços e frufrus. Se são para serem vistas, porque não vesti-las por cima das roupas, ou já que não era pra se ver, porque não usar cuecas como fazem os homens. Alias não entendo esse nome cueca, mas falarei em outra hora sobre esse assunto. Tem calcinhas tão pequenas que mal tampam a bunda se transformando num verdadeiro fio dental, bem inconveniente e aflitivo de se ver. Se um fio serve para proteger partes intimas, não seria necessário usar a calcinha e sim um tubo de barbante.

 

Saias: Aquilo que enrola as mulheres da cintura para baixo.

Algumas vezes tão curtas que da para se ver os itens acima descritos sem menor trabalho, ou tão apertadas que, mas parecem tarjas de buça… , impedindo que nada possa sair lá de dentro. Tem as muito longas que não seria necessário usar nada já mencionado por baixo. Quando é na versão ampla como pára-quedas, poderiam servir como abrigo para as crianças em dia de chuva e intensa ventania ou para aquecer cachorrinhos friorentos. O melhor mesmo é servir de esconderijo para amantes pego de surpresa. Já na versão apertada como charutos prestariam para manter a dita usuária fixada na mesma posição em festas e eventos, nunca se perdendo sua localização já que de lá ela não ira para muito longe.

 

Calças compridas: Igual às meias-calças só que sem os protetores de pés, e quase sempre incômodas como meias finas.

As favoritas são as apertadas a ponto de dificultar a circulação sanguínea, mas parecendo que foi tecido ou pintado nas pernas. Temos também as de cintura super baixa que na verdade mostram as belas calcinhas e rendas e cheias de frescuras. As do tipo larguinhas são ótimas para disfarçar balanças vencidas e ou corpinhos fora do tom. Tem as versões curtérrimas que chamamos de shoxortinho, muito apreciada por meninas malvadas e de bem com a vida (sei lá que vida é essa, mas tudo bem. Prosseguindo…).

 

Sutiã: Peça de reforço gravitacional, em forma de melões cortados ao meio, de grande ajuda feminina.

Ficam geralmente por baixo das roupas dando a impressão de que lá está um par de belos e rígidos seios, o que nem sempre é verdadeiro. Às vezes são rocamboles enrolados em armaduras de rendas, tapeando o pobre coitado do pretendente. Ou então os estilo cartucheiras, que acabam ficando presos nos cintos como dois revolveres de faroeste caso caiam do ditos suportes peitorais. Na maioria das vezes essa peça de roupa, também intima, tem as alças em silicone (como fita durex) para serem vistas fora do lugar onde deveriam estar oculta.

 

Blusas: Iguais a camisas só que mais delicadas e femininas.

Tem lindas peças que às vezes são feitas em tecido muito fino deixando à mostra tudo que você gostaria de ver, ou então curtas e apertadas que não deixam mais nada para se imaginado. Nas cores berrantes que se berrassem mesmo ensurdeceriam metade do planeta ou nos tons pasteizinhos que juro, nunca vi pastel rosa ou lilás…

 

Vestidos: É aquele pano que enrola toda a mulher.

É a mesma coisa dos dois itens, saia e blusa, só que costurados um no outro. Existem os justos e curtos ou longos e largos, só depende do gosto de quem usa e do corpinho disponível.

 

Acessórios: Peça de sinalização do quanto poder aquisitivo tem a sua usuária (ou o seu marido, amante, amancebado, caso, tico-tico no fubá…) caso sejam de metais preciosos.

Para quê usar tantos, colares, brincos, pulseiras e anéis? Seria realmente para servir de contra peso? Se uma mulher com isso tudo cair num lago, não voltam à tona, jamais.

 

Resumindo a mulher é um produto que nunca foi finalizado. Para se provar isso é só você convida uma para sair. Ela sempre lhe dirá que tem que fazer as unhas, os pés, as mãos e os cabelos, ou seja, terminar o que nunca ficou pronto.

Na próxima falarei da ridícula indumentária masculina, que não fica muito atrás da feminina, só que com menos glamour.

 

Desculpe o devaneio gente, mas na verdade adoro vestir as mulheres e principalmente vê-las belas e charmosas, mesmo que pra isso tenhamos que sofrer alguns incômodos.

E Deus salve a moda…

 

De Gang

 

 

Foto: Na duvida use tudo ao mesmo tempo…
(Montagem de De Gang)
 
 
(31MAR 09)

 

 

 

date