Momento Televisão


August 9th, 2008

Jornal De Gang
(20)

 

 

 

 

 

 Momento Televisão 

“Triste não é mudar de ideias. Triste é não ter ideias para mudar.”

Francis Bacon.”

Essa moda de TV em bares, pra que serve???

Gente, tem coisa mais cafona do que entrar num bar com amigos, ou sei lá, qualquer pessoa, se deparar com uma televisão bem grande, de plasma última geração, daquelas que custa o ‘olho da cara’ e é bem fininha e ver um programa, filme, novela ou pior, uma partida de futebol, sem som? Num ambiente cheio de gente falando, gesticulando e sem dar a menor bola para o maldito aparelho que pisca sem cessar tentando chamar sua atenção? E você olha furtivamente, sem perceber, e perde os detalhes de um assunto que se fala à mesa. É decididamente a coisa mais chata já inventada para se distrair pessoas em locais onde já se tem o que se distrair. Já vi locais com mais números de aparelhos do que pessoas servindo o recinto. O pior, geralmente o único ser humano que faz os serviços da casa perde mais tempo olhando o nada na tv nunca olhando pra você que abana braços há horas pedindo um novo chopp, e se possível gelado.

O mundo não consegue mais viver sem essa coisa de tv ligada o tempo todo em tudo quanto é lugar? Temos ate celulares com este serviço e fico imaginando alguém vendo uma novela, andando rápido em ruas barulhentas, tentando entender o que se passa numa telinha de menos de 3 centímetros de largura. Eu, nem de binóculos.

Até em exposições de decoração a tv aparece em todos os tipos de ambientes, inclusive onde não deveria, tipo áreas de serviços, varandas e banheiros. Fazer suas necessidades diárias vendo televisão deve ser bem esquisito, né??? Só consigo imaginar este ato na hora do telejornal com suas noticias assombrosas. Haja merda…

No quesito futebol em bares, ficar sem o seu som é geralmente uma vantagem, pois o barulho de uma partida é um pé no saquinho sempre. Quando a partida é importante e você repara que o bar está cheio de gente com camisas do time e todos prestam atenção no jogo menos você que só queria uma cerveja gelada acompanhada de batatas fritas, te cai a ficha que se entrou numa furada. E isso acontece quando numa jogada mais séria ou num famigerado gol a gritaria te faz acordar pra triste realidade, faço parte de uma torcida desorganizada. Ouvir opiniões de pseudotécnicos e, se der o azar de pegar uma briguinha sobre os times, é pior do que dormir de calça jeans apertada. Tem papo mais chato do que divergência sobre times?

Quando é horário de novelas e você se dá conta que olha, mas não entende nada do que acontece. Pois primeiro, o que é o meu caso que nunca acompanho nenhuma delas, assistir capítulos avulsos e sem som fica inimaginável saber do que se trata o tal folhetim. Ver tanta gente gesticulando e tentando dar sentido a uma cena, que em novelas é bem esquisitinho por não ter uma conclusão logo a seguir como nos filmes, me desconcentra. Falando em filmes, esses geralmente são fáceis de acompanhar já que nossas emissoras repetem seus títulos tantas vezes que quase sabemos o texto de cor e salteado. Quando o filme é recente ou ainda não exibido é uma tortura tentar saber o que o personagem vai fazer e quem é a mocinha que morre. Mas seria mocinha Ruth mesmo ou uma megera Rachel boa de se eliminar em filmes?

E quando o garçom passa na sua frente trazendo os pedidos e encobre a fuga fantástica do herói. Ou seria o bandido? E quando parece ser uma discussão e alguém acaba se dando mal ou bem? Isso nunca saberemos, mesmo tentando acompanhar as cenas seguintes. Sugestão para bares televisivos. Só mandar o garçom nos intervalos, deixar uma sinopse do filme na mesa ou avisar ao dito cujo pra explicar a cena perdida na próxima visita ao estabelecimento.

Programas de auditório vistas nas tvs em bares são quase sempre patéticos, piorando o que geralmente penso sobre estes programas. E se for aos domingos nem se fala. Ver gatinhas marretas rebolando super bundas e olhar apresentadores gorduchos rindo feito hienas é pior do que um pé no saco. Na verdade são os dois pés juntos, com botinas pesadas de exercito nos “pobrezitos” dos nossos sofridos “saquitos”. Haja tortura.

Por que, já que ter tv tão cara é moda, não se passa vídeos musicais ou vídeos de arte que só trazem imagens e nada mais, deixando nossas cabeças livres para imaginar e dividir sensações com os amigos? Ou melhor, porque não aquários com lindos peixes coloridos a se movimentar sem torrar sua paciência com turbulentas cenas mudas?

 

De Gang

 

 

 

Foto: desconhecido
(Uma nova televisão menos irritante) 
(09 AGO 08)
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Momento Serviços


July 10th, 2008

Jornal De Gang
(19)
 
 




 Momentos Serviços
   

Em festa de caralho  eu sempre estou vestido de bunda.”
Frase dita por Anna Ignez
 

Como é difícil precisar dos outros !!!

 Recentemente fiz um evento de moda e constatei que: Esse país está cada vez mais louco!!

As pessoas que prestam ou emprestam serviços e favores, estão cada vez mais enroladas. E as promessas de um bom serviço só funcionam em panfletos publicitários. Vou explicar isso tudo direitinho.

Precisei, para dar inicio a novas idéias, fazer pesquisa de tecidos e materiais e a cada loja que eu entrava sempre tinha um cidadão sem muito saco pra atender. Sempre tem pronta a resposta do “não tem” ou, o que é pior, a criatura te olha fundo, vira para o lado e berra se o tal pedido existe no mundo. É mais ou menos assim: “– O senhor tem tafetá changeant?” E a resposta vem. “– Eu tenho cetim charmuese.”. “Mas eu pedi tafetá changeant!”. “Mas eu tenho gorgurão laranja!”. Dá para entender? Nessa história já me ofereceram até veludo!

Teve uma loja em que procurava brim verde e a vendedora jurou que não tinha mais esta cor. Vasculhando o estoque só encontrou poucas peças de outras cores. Quando fui dar uma conferida, realmente tinha poucas peças só que uma era verde escura, outra verde média (exatamente o que queria) e mais um tom meio esverdeado que puxava pro caqui. Sei não, acho que a moça era daltônica ou estava afim de fuder com o seu chefe, mesmo por que a loja fechou dias depois.

Para estampar tecidos, isto sim, deu uma dor de cabeça do cão. Os estampadores são sempre longes de tudo, tem limitações sobrenaturais para pedidos, só fazem uma certa quantidade, só trabalham com determinadas cores ou sempre tem muito serviço e nunca podem pegar mais nada pela frente, ou seja, quase nenhum pode nos servir. E quando acontecia o milagre do sim, vinha a montanha de complicações: “– Só damos o preço depois de ver o tecido na mão”. “– Não serve a descrição por telefone?” (uma empresa de silk não saber o que é sarja, é complicado). Ou “–Só faço azul cobalto, pois não temos o azul índigo no estoque”. Ou pior, “– Só estampo no nosso tecido”, que é geralmente de qualidade suspeita e nunca com a aparência que valha a pena.

“Não faço dez porque só faço cem e não pinto azul porque não tem”.

Fazer com que eles comprem uma nova tinta é quase sempre um pedido nosso tão extravagante? E pelo fato deles trabalharem sempre longe nunca facilitam qualquer tipo de transação, tendo sempre nós que resolver para eles. Afinal quem está pagando pelo serviço? Só consegui estampar alguns lenços porque a casa que presta este tipo de serviço indicou seu próprio funcionário que terceiriza o trabalho já que o seu patrão não se dispõe a diversificar serviços, perdendo clientes e novas possibilidades de mercado, se contentando a estampar carinhas de bebês indefesos, ou políticos com as mesmas carinhas de bebês só que não tão indefesos assim ou então a já conhecida camiseteca de eventos sem graça que tanto avacalham o trabalho da moda. Nunca pegam nada que fuja desta mesmice, depois ninguém entende porque essas lojas não se modernizam.

Costureiras é um caso a parte. Elas sofrem de síndrome do papel higiênico, ou estão enroladas ou estão na merda.

Uma vez entrando numa lojinha de bairro onde se lia numa placa “Serviços de Costureiras”, perguntei se fechavam camisas. A senhorinha que conversava com uma possível amiguinha, se assustou de tal forma que seus olhos se esbugalharam e logo respondeu: “– Costura? Camisa? Fechar?”.  Na insistência ela se afastava e ficava cada vez mais esbugalhada e respondia atônita, “– Camisa? Costura? Fechar?”. Parecia que eu queria tirar o fígado dela tamanho o susto que ela levou! Sai de lá rindo feito louco com meu sócio imaginando se tivesse perguntado se fechava ternos. Acho que ela gritaria e sairia correndo pela janela…

Para os demais serviços que precisamos para o tal evento foi a mesma coisa. Ou não podem por falta de horários, ou por falta de equipe, ou ainda por falta de compreensão, pois pra cada pedido temos que mandar mil informações e explicações para o óbvio e nunca temos uma resposta direta, sempre dependendo de terceiros ou de ligações que nunca retornam. Se é aluguel de cadeiras só se alugam 98 e não cem. Para iluminação e som, só com o próprio operador que esta com casamento marcado para o dia do evento e não poderá ir. E por ai vai. Ninguém facilita.

Ate o espaço que foi oferecido para o evento, nos deu problemas. Como era empréstimo e o local era da prefeitura, tinha sempre um diretor a dar palpites e negativas, precisando sempre de plantas, cartas e o esquimbal para se ter uma posição, tendo um novo diretor a dar do contra até no momento final da apresentação. Você consegue um salão, mas não podem usar a porta X e acender a luz Y ou não pode ficar do lado B e só pode colocar coisas no lado C da sala. Se for marcado de tantas as tantas o uso do espaço, já tem uma assistente com cronômetro nas suas costas sempre lembrando que faltam tantos minutos pra encerrar as atividades e pôr todo mundo pra fora, pois o salão será fechado às pulgas logo após o movimento e o diretor W ficará muito feliz em saber que mais nada acontecerá por lá nos próximos meses ou anos. Vocês imaginam que tinha até uma figurante a assistente na calçada, impedindo a parada do carro em que vinha só para descarregar objetos que seriam usados no cenário? Tive que jurar que só ia retirar uma cadeira e luminárias e o motorista sairia logo após e ela ficou lá parada confirmando se isso seria verdade. É um pé no saco funcionários eficientes como estes, se alguém passa por lá agora possivelmente verá eles nas árvores vendo se pássaros cagam nos galhos ou algo parecido.

Na verdade eu moro próximo ao local e toda vez que passo na porta não vejo ninguém nas proximidades. É só ter outro evento que eles aparecerão em hordas criando casos com os transeuntes. Esquisito, não?!

 

De Gang

 

Foto: s/nome
(É a cara dos que me passam pela frente quando mais preciso)


(10 JUL 08)

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Momento Figurino Errado


June 16th, 2008

Jornal De Gang
(18)



 Momento Figurino Errado

“A cada dia que acordamos, escrevemos mais uma pagina de nossa biografia. Daí tentar fazer menos merda por dia para não se arrepender depois”.

 

Frase de Washington Olivetto para o programa “Happy Hour”

 

E ai gente: Quem desenha ou veste as nossas queridinhas da televisão?

Nossa, ando reparando que o vestuário na TV anda meio fora do ponto. Ou vemos apresentadoras vestidas de palhaças com roupa colorida demais, curta demais, brilhante demais, ou seja, tudo demais ou temos estranhos vestidos longos sem sentido, já que o programa é de variedades e não de noite de gala ou entrega de alguma coisa. O pior é quando aparecem com roupinhas de ir ao parquinho com dobrinhas e babadinhos esquisitos de se ver numa telinha tão pequena (a minha Tv é bem normal, tem tela não plana e de tamanho “pra lá” de comum para uma TV, não tenho que torcer pescoço para ver imagens maior do que minha sala).

A apresentadora de um antigo e famoso programa de domingo é um exemplo estranherrimo. Ela é linda, tem um carão maravilhoso, mas colocam uma maquiagem super forte. Acho que quase todas as apresentadoras de tele jornais sofrem com seus maquiadores, ou isso faz parte de um plano pra transformar todas em cara-pintadas, estilo novela mexicana (ou sei lá) que a deixa com cara de pintura de parede, e o cabelo que no caso é muito bonito, esta sempre penteado de forma dura e artificial, que a deixa com cara de madrinha casamento de interior. O figurino escolhido na maioria das vezes lhe dá a aparência de mais baixa e sem cintura devido a proporções erradas para o seu corpo. A roupa é sempre feia, mas na moda! Daí o desespero, será que o que conta é a moda ou a modelo? A sua antecessora, uma famosa e respeitada jornalista, era bem mal vestidinha, mas agora vejo que não era dela o defeito e sim dos responsáveis pelo figurino da mesma emissora. Isso é o que sinto vendo aqui do meu cantinho, já que o seu parceiro de tela sempre está vestido como apresentador de casa de bingo, com ternos claros e grandes, geralmente calça de cor diferente a do casaco e camisas feias por baixo de tudo. Além do que em cores e formas que se perdem com o cenário. Gente, eles nunca se preocupam em ver se o fundo faz par com o figurino dos apresentadores?

Os telejornais insistem no blazer feminino apertado e tristonho, que em algumas jornalistas, apertam grandes bustos ou em outras a empalidecem, combinando a cor no quase mesmo tom da pele. E tem as de ombros miúdos que de tão apertados os casacos a fazem ficar menores, parecendo anãs ou crianças a dar noticias. Cabelo é um caso a parte, já que no mundo do alisamento progressivo cada uma ganha seu modelito cabelo de boneca, bem liso e morto.

Tem outros programas de finais de semana, que funcionam quase o dia inteiro, que usam inúmeras dançarinas, como se fazia no saudoso Chacrinha com suas intrigantes Chacretes. Só que ao invés de se vestirem como pomposas vedetes, se vestem como o cafona e finado estilo Lambada. Saias curtinhas com blusinhas também curtinhas e calcinhas a mostra como sempre. Não sei porque esta escolha, pois a lambada há muito tempo morreu, coisa nunca aceita pelo povo baiano, já que se inventa algo pior a cada safra. É um mau gosto do cão, com mulheres jogando cabelo e rebolando grandes bundas com esse tipo de roupinha tão esdrúxula. E daí que sinto falta da era das Chacretes com suas plumas e paetês que dava um ar decadente e divertido que não se vê mais na nossa lâmpada mágica. O pior é que essa mulherada rebolativa-lambadeira-fora-de-contesto, aparece ate em programas de sorteios ou prêmios, com platéia ao vivo, pagando aquele supermico televisivo. Quando as dançarinas não dançam (o famigerado estilo já mencionado), elas ficam chacoalhando e abanando dedinhos e cabecinhas quando o coitado erra ou acerta na escolha da resposta ou número. É um pé no saco ver mulher bonita se fazendo de bicho amestrado em programas noturnos. E tome roupa erótico-brega-lambadeiro novamente. Tem até um programa onde as dançarinas se vestem de “mamãe Noel” fora da época, tudo curto e cafona como manda o figurino.

Já nos programas musicais têm sempre um jovem mal-ajambrado com jeans surrados com cortes estranhos ou roupas coloridinhas e pseudomoderninhas. Nem sempre se acerta e quase sempre se erra, e nem sempre o jovem é jovem o suficiente para se vestir de jovem.

O que pergunto é: o que é ser jovem numa televisão??? Vide essas porcarias jovens que a Disney tem produzido ultimamente, com uma garotada careta, colorida, metida a new weve fora de moda a cantar e dançar como os nossos saudosos Jane e Herondy. Só que tudo levado a sério, como se isso fosse a realidade desta nova geração. Haja saco… 

Não vou falar de programas infantis, pois esses não se têm mais o que falar. Só tenho pena da cabecinha das pobres crianças que crescem vendo essas bizarrices fashion na televisão.

Cadê as grandes editores de moda que não vêem isso?

 

De Gang

 

 

Foto: sem nome
(Hoje tem cara pintada…)


(15 JUN 08)

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Momento Melancia


April 27th, 2008

Jornal De Gang
(17)

 Momento Melancia 

“A coisa esta mais lenta do que bahiano fazendo ioga…”

 

Nunca a mulher foi tão e mal usada. É comer com casca e tudo e cuspir os caroços.

Estava outro dia na academia, fazendo a minha esteira (exercitando as perninhas já que a mente fica o tempo todo em exercício), assistindo a um canal a cabo, onde passavam vídeos de musica pop internacional. A maioria dos clipes era da black music americana, com seus funks e rap que não é muito a minha praia, ou melhor, como nunca vou à praia, não é da minha pacata academia. (risos)Como o programa tinha legendas, e numa esteira não sobra muito que fazer a não ser ler tudo que esta pela frente, comecei a prestar atenção nas letras traduzidas. As imagens sempre são a mesma merda, com suas repetidas cenas de afros musculosos, geralmente sem camisa, em carros super caros, casas fabulosas e cenários igualmente colossais rodeado de muitas mulheres-objeto, seminuas a rebolar e esfregar imensos melões e gigantescos bundões nestes mesmos afrodescendentes que nunca dão atenção às mesmas.  E quando as mulheres protagonistas desse gênero são sempre super sexy, em roupas super justas, super curtas, sempre super louras ou super ruivas, nunca de cabelos fritinhos como de nascença, fazendo caras e bocas de quem esta a ponto de bala, e em poses super “chula-sex”, com rebolados estilo stripper de boates de quinta.O que me choca não é só o visual, mas sim que a maioria das letras, falam de sexo fácil e rasteiro. Na facção masculina as mulheres são cãezinhos adestrados (as cachorras), que dão super mole para seus machos super garanhões e sempre são presa fácil para valores fúteis. Já na ala feminina as “cantoras” falam o mesmo no sentido contrario; tipo: elas darão rapidinho para seus machos se forem mal tratadas ou compradas por merdas caras. O modelito é no estilo fruta: escolhe, chupa e come cuspindo o caroço fora.Adoro ver clipes de cantoras americanas que usam casacos de pele muito curtos (não sei o que aquecem?) combinados com shorts ou saias tão ínfimos que mal tampam o que deveria estar tampado. Primeiro: Que frio é esse que elas sentem? Será que só faz frio na parte de cima e calor na parte de baixo? Isso tem uma certa lógica já que elas sempre estão no “vem quente que estou fervendo…”Essa é a era do mulherão, sempre de saltos agulha, roupas duas vezes menores do que o corpo e muita atitude vagaba e sexual nas poses e posturas. É o momento “escute gozando”!!! O mesmo acontece aqui no Rio de Janeiro, com a carioca comum. Mesmo na chuva fria, ela tem que estar com meio corpo à mostra, pois aqui é a terra do verão eterno, mesmo fazendo 16°. E tome sex… Daí comecei a relembrar as nossas musas da música popular. Ou temos letras onde tudo termina em sacanagem sempre com mulheres rebolando sobre garrafas, objetos fálicos ou dançando em trenzinho mostrando calcinhas para homens cheios de intenções não muito religiosas, ou se faz o momento auto-ajuda com o “põem a mão lá”, “coloca a mão ali” e “tchan, tchan, tchan, tchaaaaaaaannnnnn”. Lá vem mais sacanagens com a mulherada pagando o maior mico.Vi na TV na madrugada um programa de funk onde muitas gatinhas balançavam bundas em micro shortinhos ou microscópicas sainhas onde muita calcinha foi exibida quase que do avesso de tão perto que eram filmadas. Deu ate pra sentir o cheiro, tamanha distancia que estavam as bimbinhas da minha televisão. Será que elas têm família? Será que essa família assiste à performance artística dessas meninas? Quando saem para gravar esse programa, elas levam suas mães?Não podemos esquecer as cantoras “pula-pula”, com seus figurinos estilo punk jegue de couro, plástico e muito brilho, com muita nádegas de fora, botas á la chacrete e cabelos mega que chacoalham pra lá e pra cá sem parar. É uma chatice só ver essas bregas pulando e gritando musicas de amor com roupas de malucas futuristas do brejo. E tome o dito pornô sex pro povo ver e sonhar…  Nas bancas de jornal só têm bunda estratosférica em poses muito “artística”, nas capas de inúmeras revistas especializadas em vagabundagens. Tem umas que conseguem mostrar todos os seus furos num ângulo só, coisas criadas por feiticeiras e tiazinhas contorcionistas de antigas temporadas, que acabou virando regra. É cu, buça e peito na mesma direção, e o carão de quem não esta nem um pouco incomodada com tamanha torção corporal.Agora até é moda mulheres frutas! Escandalizando o mundo com suas frútices créu, a mostra, sem falar das piscas-piscas de super nádegas que, já geraram polemicas de quem as inventou. Se foi uma deliciosa modelo e apresentadora de TV ou uma desarvorada dançarina de bailes de subúrbio?Só falta os homens entrarem nessa também. Já imaginou homem-nabo ou homem-pepino? Acho que não seria bom de se ver na hora das refeições, não é mesmo!!! De Gang 

Foto: Quadro de Ricardo Passos - Pintura Acrilica

(Onde será que isso tudo vai acabar???)

 

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Momento BBBosta


April 1st, 2008

Jornal De Gang
(16)

 Momento BBBosta

“blá blá blá...”

A síndrome do BBB ou cadê o meu crachá!

Gente, que onda é essa de milhões de VIP’s que nunca fizeram nada? E nem farão ou tentarão ser alguma coisa de importante fora aparecer, aparecer e aparecer ate você cansar de ver as mesmas caras ou bundas. Sempre se mostrando, não dizendo nada de importante ou útil para sua vida, ou pelo menos para o jornaleiro da minha rua ou das ruas de todo mundo que vendem essas caras e bundas e nunca ganham um tostão a mais pelas vendas destas inúteis revistas e jornais que infestam uma banca de esquina!Andy Warhol inventou de cada um ter o seu 15 minutos de fama, mas o que ele quis dizer mesmo foi, fama feita pelo talento que cada ser humano possui, se ele conseguir achá-lo no meio de tanta mediocridade que reina nas cabecinhas por ai.Hoje em dia qualquer festinha tem o tal curral vip, coisa que na verdade é área de gente pseudofamosa que foi um dia ex-piranha, que virou ex-namorada transformada em modelo-manequim e atriz, passando a ex-esposa de um ex-ninguem, ou ex-jogador de alguma coisa que era ex-pobre e virou rico. Logo, é VIP! Nem sempre tem tanto vip para uma festa e na real aparecem os ex-namorados, ex-amantes e ex-o-caralho-a-quatro pra dar estofo ao evento. O pior é quando o ex é na verdade um ex-vip, daí a coisa pega, pois é um tal de “lembra quem eu sou” ou “lembra o que fiz?”. Isso quando não vem um assessor de imprensa com textos elaborados para provar que seu cliente é realmente um merecedor dos 15 minutos de fama que já se encerraram há 15 anos atrás.Nas telinhas da TV temos inúmeros programas de futuros ex ou futuros vip’s que enchem o saco pela insistência do nada, ou seja, somos obrigados a ver ou ouvir, caso o programa seja de fofocas de zeros-à-esquerdas.Meu povo, nada mais chato do que saber o que gente boba faz do seu dia a dia. Sem perguntar ou mesmo me interessar, fico sabendo dos encontros e desencontros, de almoços, lanchinhos ou batizados e ate mesmo de menstruações e depilações mau feitas de famosos. Nada mais ridículo. E quando o IBOPE destas personalidades começam a perder efeitos, elas mesmas se dão ao trabalho de fazerem mais merdas em publico, alimentando assim suas enfiadas de “pés na jaca” e voltam a ser comentadas como mais um feito que nos mantêm vivos e cheios de vontades de pedir o mundo que pare, pois temos vontade de saltar.Vi outro dia num documentário feito para uma inútil milionária do escândalo gratuito que ela manda para toda imprensa o seu roteiro de andanças e pra cada lugar que se dirige troca de roupas, pois assim garante o interesse dos paparazzes e com isso podemos vê-la muitas vezes ao dia sempre sem fazer nada que preste. Não é uma maravilha a vida de quem perde tempo vendo TV a cabo? Até presa a lambisgóia foi pra chamar atenção do mundo.

Aqui temos modelos, manequim e atriz, (lembra deste jargão de traveca em bailes gay’s???) que se apaixonam, engravidam, perdem o bebê, casam com direito a escândalos e contos de fadas. Será que conto de fadas combinam com escândalos burlescos? E tudo termina em poucos dias para se repetir mais tarde com outros personagens em praias recheadas de gente? Essa é a turma do carão. Tem gente que faz o carão maior do que o apartamento que mora, como disse uma querida amiga.

Uma vez, no final da tarde, em uma banca de jornal aqui no bairro, me deparo com uma velhinha e seu também idoso cãozinho ao colo a reclamar aos berros, que só via nas capas meretrizes, libertinas e piranhas e quase aos gritos, perguntava a mim e ao atônito jornaleiro se conseguíamos identificar alguma médica, cientista ou escritora? Realmente na maioria das capas só se via imensas bundas e caras e bocas de popozudas, dançarinas, madrinhas e apresentadoras de programas de rebolados bizarros.O mais chato é que infelizmente o mundo ficou deste jeito. Trocando em miúdos, qualquer mané se faz no mundo dos caçadores de fama, basta mostrar seu derrière 24 horas em alguma TV, e pronto, temos um VIP…Acabo por concluir que VIP é tudo aquilo que não quero ser quando crescer. De Gang 

Foto: Amanda Lepore por David LaChapelle.
(O famoso 15 minutos de fama que assola o mundo…)


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Momento procura-se estilo…


March 12th, 2008

Jornal De Gang

(15)


 Momento procura-se… 


“O negocio é dar a Elza na roliça…”

A Procura-se estilo. Vivo ou morto…

Eu venho dos meados dos anos 50, e o máximo que me lembro são das imensas saias balão e dos sapatos, bolsas e luvas do mesmo material e cor, que toda mulher elegante da época usava. Vindo a seguir os maravilhosos anos 60 com os vestido tubinho, dos casaquinhos curtinhos e sapatos de saltos pequenininhos e o gigantesco penteado bolo-de-noiva. Isto me faz lembrar ainda criança que minha querida mãe, que ia ao salão quase toda semana e sempre era questionada pela cabeleireira se guiava. Isso era pra saber de que lado colocaria o pega rapaz (aquela virgula lateral feita nos cabelos). Se fosse motorista era para esquerda se não o contrario.

Seguindo as mudanças temos os loucos anos 70, que na minha adolescência foi a grande descoberta da moda e seus efeitos sobre mim. Com as suas roupinhas apertadinhas, sujinhas e coloridinhas, com suas calças de cintura super baixa, bocas-de-sino e nesgas para aumentar tamanho da boca, que cobriam sapatos com grandes plataformas ou sandálias feitas de pesadas solas de pneu. Para acompanhar, tínhamos cabelos que também eram sujinhos, compridos, encaracolados ou amarfanhados mesmo. Não existia o poderoso alisamento progressivo e no máximo que se podia fazer era, passar o cabelo no ferro quente. Essa era uma prática já muito usada no período anterior. Todo esse visual era para demonstrar liberdade, amor e paz. Ou seja, era pôr um perfume patchuli, fumar muito, falar muito e querer transar com todo mundo, num planeta, que a principio parecia ser feliz e coloridissimo.

No final desta década e inicio dos 80 temos o movimento punk. O qual me encaixei muito bem, com uma moda bem reacionária, transgressora e agressiva. Este novo estilo mostra o faça-você-mesmo e o eu-não-estou-nem-aí-pra-você, que pontuava o uso da cor preta como base, acompanhada de adereços de couro e metal na linha grampos, pregos e tachinhas, com estampas políticas e criticas em t-shirt propositalmente rasgadas. Tudo isso com pesado coturno de exercito e cabelos de cores extravagantes e cortes esquisitos.

Nesta época, numa festa em minha casa, um jovem punk que não sei amigo de quem era, possuía uma crista quilométrica, montada com ajuda de muito sabão seco, que pulava e pulava por debaixo de uma arvore, ate que num movimento mais radical, deu com a cabeça em um galho e desmaiou em meu quintal. Nada mais punk…

Daí entram os gloriosos anos 80 e o estilo é o new wave, com suas grandes e montanhosas ombreiras (eu usava ombreiras tão volumosas que conseguia dormir em mim mesmo), cores cítricas, formas geométricas e combinações divertidas para se criar personagens igualmente divertidos, tudo com muito gel, glitter e grafismos. Nunca se divertiu tanto numa moda só. Éramos forçados a criar modelitos inéditos a cada dia para se poder dar asas à imaginação e a numerosas festas que rolavam à mil nestes ótimos tempos. Deste movimento surge o new romantismo que misturava antigos estilos de épocas bem antigas, combinados a muita maquiagem e atitude blasé. Era a era do snobismo europeu de cortes e realezas fajutas ditas por roupas barrocas e modernas ao mesmo tempo.  Esta onda nos fazia ficar horas em frente a um espelho, ate terminar uma demorada produção de vestuário com muitas rendas, babados e franjas elaboradas a base de muito laquê. Nesta época eu era um tipo de objeto de adorno na faculdade, por ficar horas sentado num jardim a espera de aulas que nunca me encaixava.

Seguindo as tendências (não as mesmas ditas hoje em dia, palavra que me da arrepios ultimamente), vem o movimento pauperismo, inventado pelos estilistas japoneses em Paris que nada mais era do que misturar a elegância nipônica ao new romantismo, com excesso de preto e cinza, dando um aspecto de pobre e sujo (só no visual e não no real já que a base era os linhos e tecidos super naturais), criando personagens lindos e soturnos bem rasgadinhos e elegantérrimos. Com este estilo, eu andava com imensos lenços negros enrolados no pescoço, que conforme me empolgava com o assunto em bares, rasgava as pontas ate fabricar pequenos montes de tecidos em frangalhos ao meu redor. Uma vez uma velha senhora estrangeira me aparece e comenta que, de tudo que já tinha visto no mundo, nunca tinha presenciado alguém tão bem vestido se autoflagelar em publico na vida.

Do pauperismo ao darkismo e logo depois o minimalismo dos anos 90 com o menos e o “sem muitos detalhes”, o que não me diz nada já que faço parte do muito (risos), caindo no grunge da década seguinte, que é o menos ainda só que mais mal-ajambrado.  

Cruzes, que cu…

É nesse momento que entramos nos anos zero (2000), e nada mais aconteceu. Tivemos os revivais de uma década inteira, que foi a dos anos 70, com muitas calças cinturas baixas e batinhas, só que sem a sujeirinha e a liberdade, paz e amor.  

E com o passar dos anos, e olha que já são oito anos, e nada muda a não ser mais revival de anos bem próximos tipo agora os anos 80. E nem se passou 20 anos e continuamos a repetir coisas já ditas e feitas sem se acrescentar nada de novo a elas.

Eu saio na rua e vejo hordas de gente se vestindo iguais, fazendo coisas iguais e sem nenhuma identidade possível. Que se jogam em um estilo de vida sem personalidade, onde cada um é todos e ninguém se destaca por não estar na moda. É a onda do pé sujo, cervejinha em pé, xixi no pé e pé no lixo. Quantos pés meu Deus…

E o que é pior sem identificação de classes ou tribos já que a indumentária da moda é a mesma em qualquer lugar ou grupo. A única diferença é os que tem poder aquisitivo pra comprar a grife cara e o resto que compra em lojas de departamentos ou em camelôs mesmo, já que é a mesma informação pra todos.

Será que vivemos o estilo bermudoismo-floridismo, ou o batinhismo-de-visco-laycrismo, ou quem sabe a do chinelismo-havaianismo????

Tô fora…

De Gang

Foto: Vestido cinza, meia de vinil com scarpin de plataforma em onça.
(Nada mais estiloso…)


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Momento morri…


February 26th, 2008

Jornal De Gang
(14)

Momento morri…

“Nunca confie numa mulher que diz sua verdadeira idade.
Se ela diz isso é capaz de dizer qualquer coisa”

Oscar Wilder

 

“Como será a vida pós-morte das vitaminadas e anabolizadas do nosso planeta?”Gente, outro dia estava pensando na morte da bezerra e me veio à cabeça: como será a morte das nossas poderosas popozudas, vitaminadas e anabolizadas com seus quilos de silicones e próteses pelo corpo inteiro, desenhando aqueles belos peitões ao estilo queijo Catupiry (lembra das embalagens de lata, redondas e bem bolinadas deste maravilhoso queijo)? Qual será o fim das bundas tamanho “GG grande”, tão grande que fazem sombras nas ruas e ocupam vãos inteiros de escadas de incêndio? Como ficarão as coxas à la jogadores de futebol, batatudas e volumosas ao extremo, acrescentadas a muitos quilômetros de fios de ouro, platina e o diabo a quatro para sustentar beiços carnudos, bochechas de Bozo e olhares de bonecas espantadas????
Imaginei um defunto plastificado, de formas perfeitas para uma imensa Barbie, que com o tempo se transformaria em uma caveirinha cheia de objetos plásticos grudados em várias partes da estrutura óssea formando desenhos bem esdrúxulos, criando uma nova personagem para o filme “A noiva Cadáver”, do incrível Tim Burton.
Acho até que seria mais divertido, ao invés de enterros, museus tipo os de cera, muito comuns na Europa, onde colocaríamos nossas queridas boazudas em cenários que combinem com suas antigas vidas de glamour e esplendor (e bota esplendor nisso - se forem as do ramo do carnaval que tanto povoam nosso folclore nacional mais ainda!). Assim teríamos essas personalidades eternamente expostas ao publico, pois como seus corpos, em sua maior parte, são sintéticos, jamais estragariam com o tempo, não se perdendo suas lindas formas.
Pena que nem toda “corpãozuda” é tão famosa assim para ser exibida, mas as famílias poderiam pô-las na sala de visitas, varandas ou ate em jardins como enfeites. Ou melhor, transformar os corpinhos em objetos decorativos e bem utilitários, já que em vida geralmente não serviram pra grandes coisa (muitos risos) no estilo “porta-alguma-coisa”, suporte para bebedores de passarinho (caso for os já ditos objetos de jardins), laterais de estantes de livros (se a antiga proprietária do corpinho tiver alguma cultura ou pelo menos o livro do Pequeno Príncipe) ou quem sabe peso de papel, dependendo da importância e do tamanho de cada uma.
O que mais me preocupou mesmo foi o fato de algumas pessoas preferirem a cremação, e lembrei que alguns produtos explodem em altas temperaturas e nunca soube se silicone não poderia ser um deles. Já imaginou um defunto explodindo no forno ou se caso não acontecer, como seria a fumaça tóxica que sairia das chaminés dos crematórios?
Sairiam cinzas ou líquidos derretidos no final do processo? E qual seria a forma de apresentação dos restos mortais aos familiares? Daria pra aproveitar em artesanatos como se faz com a garrafa pet???
Poderíamos transformar corpinhos esculturais em capas de sofá, porta copos. Já ate vejo um peitinho sendo usado como sous-plat ou quem sabe mouse pad. Só depende da criatividade de cada um.
A única que se sairia bem nessa história seria a nossa gloriosa Cher que, sendo o próprio Deus, jamais morreria. E num forno só se beneficiaria com o calor, pegando um belo bronzeado artificial e saindo mais linda e plastificada do que antes. Outras como Pámela Anderson, Cicciolina e até nossa tupiniquim Ângela Bismarck poderiam dar belos conjuntos de objetos, pela quantidade de matéria-prima que elas produziriam.
E, lembrando, Deus fez o peito Catupiry…
De Gang

Foto: Amanda Lepore por David LaChapelle
(Boa, bonita e gostosa. Cruzes…)


(26 FEV 08)

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Momento Carnaval


February 6th, 2008

Jornal De Gang
(13)

Momento Carnaval

“Amigos não são apenas para festas e porres, mas também para as ressacas ”

 

“Quando a bexiga canta mais alto no tempo do reinado de Momo.”

Sou, apesar de não parecer (risos), antigo o suficiente para lembrar dos carnavais do passado onde fantasias tinham seu status e significados. Quando criança minha mãe confeccionava, piratas, índios, romanos (que eram os nossos preferidos) e outros mil personagens que se vê muito pouco hoje em dia.

A coisa hoje se resume a improvisos de colares de plástico, arquinhos com pluminhas cafonas, “coroinhas-de-princesinhas-sabe-lá-do-que”, bermudas coloridas e chapeuzinhos esquisitos para os foliões de rua. É claro que pinta uns criativos que improvisam coisas do arco da velha de engraçadas como a fantasia que vi uma vez num bloco aqui do bairro. Um rapaz vestido de chuveiro com a haste da cortina de plástico vagabundo e o chuveiro propriamente dito, que espirrava água com o auxilio de uma bombinha de borracha. Muito bom aquilo.

Temos as fantasias de escolas de samba espetacularmente estranhas que não parecem com nada que conhecemos ou parecem qualquer coisa menos o que o enredo quer dizer. É um monte de arames, celofanes, barbatanas, plumas e mais um quilo de maluquices que no conjunto fica lindo mas de perto é um terror. Certa vez uma prima paulista que vem sempre desfilar por aqui, me veio com sua fantasia para que eu ajudasse a vestir, pois metade não ficava no lugar e outra não tampava o que tinha que ser tampado. Fiz o que pude, mas confesso, aquilo era uma Kombi velha prestes a explodir, e não deu outra, na passarela a forração dos arames que davam apoio à estrutura esdrúxula da fantasia começou a se dissolver com o suor excessivo que a roupa produzia, foi ferindo a foliã paulista e ao termino do seu tempo de gloria, tinha vários cortes no rosto, ombros e quadris. Em resumo não gosto de carnaval mesmo.

O mais estranho pra mim são as fantasias de destaques que, ou parecem monumentos de pedras, plumas e quinquilharias tendo um (a) coitado (a) a carregar aquela montanha de informação, ou são as minúsculas reproduções destas montanhas a tampar bundas generosas ou peitos turbinados, com uma raça inteira de uma ou várias aves na cabeça e nos ombros, mas nunca explicando o que representam essas diminutas roupinhas de madrinhas ou boazudas de carnaval.

Outros grandes mistérios da minha vida: Primeiro, onde esta o povo da comunidade que estas escolas representam?

E segundo, de onde saem e pra onde vão essa mulherada e agora os homens também, que ficam seminus nos carros e na frente de baterias, quando acaba esse inferno todo,???

Terceiro e o mais misterioso de todos, porque as comissões de frete são tão chatas e melodramáticas com gente voando, parindo, peidando ou sei lá mais o que bem na frente de tantas pessoas sorridentes e animadas? Sou do tempo das irmãs Marinho, que vinham à frente, como gloriosas vedetes sambando no pé como ninguém mais vê. Nossa como estou velho (risos).

Um caso a parte são os blocos de rua que reaparecem aos montes, cada vez mais numerosos, longos e de um lento arrastar de gente em sua maioria embriagada que seguem outras tão bêbadas quanto e por fim mijam um bairro inteiro. Só em Laranjeiras, onde moro, são sete ou mais blocos que atrapalham o trânsito e a paciência de moradores uns quatro meses antes do dito carnaval, com ensaios sem sentido, pois o máximo que se faz num bloco é gritar, fumar todas, beber e seguir uns aos outros por um quarteirão inteiro. Já ate temos aqui na rua uma avaliação por pontos de locais de xixi dos foliões com direito a classificação e recordes. Só no meu portão espantei uma dezena de pintos mal educados com tesouras de cortar grama e vassouras com ajuda de amigos. Uma “foliona-mijona” até ameaçou fazendo cara feia e por fim nos xingando sempre tendo a sexualidade como tema, por não ter acesso livre a meu banheiro. Imagina ter três mil “folionas” a mijar no meu vaso. Cruzes, isso aqui iria virar a Central do Brasil em termos de banheiro, ou teria um tsunami de xixi na casa…

 

De Gang

Foto: “Um carnaval qualquer nota dez, com uma fantasia também qualquer nota, nota zero, zerooooooooo…”


(05 FEV 08)

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Momento tranca-rua


January 15th, 2008

Jornal De Gang
(12)



Momentos Tranca-rua 

Pra falar verdade, às vezes minto
tentando ser metade do inteiro que eu sinto
falando sério.”

Como é difícil a vida de pedestre!!!

Desta vez falo dos tranca-ruas, ou seja, da turma que adora travar sua passagem, atrasam tua espera em filas, atrapalham teu bom humor e etc… Te deixam muito louco ou com uma estranha vontade de esganar estranhos, o que é muito comum no meu dia-a-dia nesta cidade do Rio de Janeiro.Sabe quando você está com muita pressa e tenta ultrapassar uma pessoa mais lenta? Ela geralmente por um instinto selvagem vai para a sua direção te impedindo a passagem. Geralmente são mulheres e, por um mecanismo feminino, percebem a sua agonia e acabam desviando em direção a sua reta caminhada. Pegam uma diagonal fazendo com que você tenha que reduzir e tentar para o outro lado, repetindo a mesma coisa na maioria das vezes.Pessoas de mais idade sempre tentam furar filas de pequenos mercados ou comércios menores que não possuem caixas específicos para idosos. Nada mal deixar passagem para pessoas de mais tempo no planeta, mas isso é uma escolha e não uma ação forçada, já que vou ficar velho um dia e nunca ficaria enchendo o saco dos outros por estar com meu prazo de validade vencido.Eles ficam se fazendo de esquecidos e fingem que você não esta lá na fila com mil coisas nas mãos. E que como eles estão doidos pra ir embora ver sua TV ou descansar o lombo da sua longa jornada do dia, tendo muita gente te cutucando por deixar alguém passar na sua frente tornando a espera mais cansativa ainda. São dois constrangimentos; chamar atenção do velhinho ou velhinha e levar bronca de estranhos bem mal-educados que nunca se colocam na sua posição de mediador dos chatos, ou ignorar todos e ser a pessoa mais odiada do mundo.Já passou por um supermercado e viu uma senhora analisando e comparando preços em uma gôndola com o seu carrinho estacionado, ou melhor, atravessado no corredor, não deixando passar nem bicicletas quiçá outro carrinho também cheio e pesado? E quando você tenta tirar o veiculo do caminho e leva uma olhada de mau humor como se fosse a coisa mais absurda do mundo abrir passagem com seus próprios meios? Outro tranca-rua de mercado é o cliente que enquanto escolhe uma mercadoria não sai da frente da estante, nem mesmo se você estiver morrendo ou tendo um ataque do coração fulminante. E mesmo dando uma segunda volta ele esta lá na mesma posição como se o tempo tivesse parado ou que essas pessoas tivessem fixado residência no corredor. Isso é muito comum em caixas eletrônicos com clientes vagarosos e esquecidinhos de senhas ou dos que lidam com computadores de banco com dificuldade. Olha que a informática dos bancos já tem tempo e ainda existe gente que se enrola com teclados e números.O pior são senhoras que sempre esperam calçadas com espaços menores. Tipo: Kombi descarregando estacionada sobre o meio-fio, junto a grandes arvores e, se possível, ao lado de hidrantes e sacos de lixo postos para fora em dias não permitidos. É neste exato momento que elas abrem suas bolsas e saem à procura de celulares que nunca lembram como funcionam e ficam na loucura do “falar-sozinhas” no desespero de atender a dita ligação que provavelmente é da empregada que esqueceu alguma coisa não muito importante, mas o suficiente pra telefonar para a senhora esquecidona. O mais chato é quando nestes mesmos obstáculos da vida, duas ou mais pessoas se encontram e ficam ali mesmo. Se cumprimentam, se abraçam, trocam mil novidades e esquecem que a rua tem seu ritmo de caminhada e sempre temos que nos espremer nos muros pra poder passar. Acho muito pouco civilizado impedir passagem, mas ser olhado de cara feia quando tentamos passar é dose pra jacaré.Tem gente que se acha o rei da rua e principalmente do seu tempo. Já soube de um caso de uma querida amiga que num dia de muitos atrasos, teve que acelerar o passo para adiantar sua vida quando teve a calçada interrompida por uma menina que dançava ballet enquanto caminhava acompanhada do irmão adolescente que conversava com um senhor que parecia ser o pai de ambos. Ela num ato de pura lógica esperou a menina parar de bailar e tentou sem sucesso a ultrapassagem, no que teve a ajuda do adolescente que chamou atenção da menina pedindo que parasse e desse a passagem. Ao passar, minha amiga escutou o grito do senhor que, num exemplo de boa educação, dizia que a calçada era publica e que ele e sua família passeavam e que os apressados esperassem. Muito bonita a educação que este senhor estava dando a seus filhos. Fico impressionado realmente como andam nossa juventude. De Gang

Foto: Mulher no Supermercado por David Lachapelle
(Elas estão é loucas 2, a missão, rsrsrsrs…)


(14 JAN 08)

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Momento natalino e final de anino


December 27th, 2007

Jornal De Gang
(11)

Momento natalino e final de anino

” Perdoar cabe a Deus.
Eu ignoro”

O terror natalino e o reveillon…

Ô coisa chata esta época do ano com as festas de natal e de fim de ano. Sempre se repetindo e nunca trazendo nada de novo ou algo que me chame atenção. Começando pelos nossos pentelhos do natal!

Fora o Papai Noel com seu “ho ho ho” tão manjado e chatinho, não poderia ter outro se não o rei Roberto Carlos na TV que, de tão tradicional, me vem sempre à cabeça, assim como a enjoada rabanada e o insoso panetone que também só aparecem neste período. Ver a apresentação do mestre com seu já gasto terno branco, suas longas madeixas grisalhas, seu charme de cantor de bolero e seu mais do que cansado repertório de músicas e convidados eu não dou conta. Nunca ligo a televisão nesta data nem pra ver desgraças do Jornal Nacional.

Outro porre natalino são as decorações. Principalmente as de prédios residenciais, que sempre são feitas por porteiros com ajuda de síndicos que nunca entraram numa escola de decoração, artes ou qualquer coisa que desse crédito a estes profissionais. Vemos sempre muitas luzinhas que nunca chegam no seu final com o mesmo agrupamento do inicio. São ricas no seu princípio e paupérrimas quando chegam nas extremidades. Já quando se têm lâmpadas o suficiente elas ficam a dar ziguezagueadas a esmo nas grades e árvores na qual foram colocadas. E tem coisa mais chata que luzinhas que emite sons e nunca param de zumbir feito moscas loucas? E se na mesma rua resolvem ter mais de dúzia destas merdinhas? O zumbido é desconcertante e irritante o suficiente para você perder o controle de tudo. Pior ainda quando estas musiquinhas saem de Papais Noeis que dançam e rodam com aproximação de pessoas, o que é uma delícia para crianças e uma tortura para adultos. Quem inventou isso, meu Deus? Será que ele não tinha mãe? Ou crianças na família?

E os bares e botequins que colocam as lâmpinhas em tudo que pode ser pendurado. Nas paredes, pregos perdidos, ganchos, quadros, placas de avisos, ventiladores e até bacalhaus pendurados. Um horror do Natal luminoso. Até São Jorge e Cosme e Damião ganham luzes pisca-pisca! E a arruda na garrafa pet serve de apoio pra fios.

Guirlandas daquele material esquisito, que parecem os usados em limpadores de copos, quando velhos ficam mais feios e empoeirados nunca dando um bom resultado. Se agregados a penduricalhos também velhos ficam bem piores e junto a todo resto faz do nosso já mal decorado ambiente uma loucura de estética, suja e amassada.

Já nas casas vemos quase que sempre a velha e “rota” árvore do material já mencionado e igualmente amassado e envelhecido com as famigeradas bolinhas, luzinhas e falsas neves, que nunca entendi o por que, já que o nosso Natal é em pleno inicio de verão e o calor é de matar. Sem contar o gordo Papai Noel de peles e veludos, com renas geladas e trenó que nunca vi na vida fora nesta tradicional festa que representa o nascimento de Cristo.

Espera ai? Onde encaixa neve, Papai Noel, rena, Cristo, reis magos e o “escambau”? E porque dar presentes quando na verdade quem faz anos é o tal de Cristo? Que coisa confusa e nada coerente, ou mesmo irreal, com a nossa cultura e nossos costumes. Comer nozes e avelã só em lugares frios. E pendurar meias na lareira e esperar o bom velhinho descer pela chaminé é foda. Na minha casa nem forno descente eu tenho!

Quando criança não conseguia entender como um gordalhão de roupa de dormir vermelha, conseguiria entrar numa tal de chaminé e enfiar uma bicicleta numa meia presa na tal da lareira. E ainda mais, como ele voltaria pelo mesmo caminho e entregaria as outras milhões de bicicletas para o resto do mundo? É foda mesmo o que se coloca na cabeça de uma criança. Já não basta imaginar um coelho pondo ovo de chocolate no jardim?

Agora entrando no reveillon, que é um festejo de despedidas e recomeços, de celebração de vida e de esperanças para um futuro melhor, temos como estilo de vestuário aqui na minha cidade maravilhosa, a roupa de praia até mesmo quando a festa é no meio do subúrbio ou bem longe de uma praia. Tá certo que assistir os fogos em Copa é tudo lindo ir de chinelos e bermudas, pois daí pode vir um mergulho gostoso no fim da madrugada e quem sabe até esticar o dia pegando um solzinho gostoso. A merda é que só vejo gente de bermudas e camisetas ou vestidinhos fininhos, bom pro sol e mar e não pra noite que deveria ser mais especiais e glamurosas. O que a gente vê nas ruas me dá a idéia de que todo mundo está de férias num balneário bem chulezinho e sem graça, tipo aquele lugar onde só se faz farofada na areia, bronzeados com óleos de fabricação caseira, e descolorantes em pernas e coxas com água oxigenada à luz do dia. E tem mais, chinelos Havaianas em festas de fim de ano, nem no banheiro na hora do chuveirão. Pelo amor da Santa, vamos maneirar no ficar à vontade em lugares públicos. Nem todo mundo tem estômago pra ver tanta gente de dedão e calcanhar mal tratado de fora, ainda mais com o brindar de champanhes e semelhantes em locais bonitos e bem decorados.

Usar um brilho na desculpa de estar à rigor nunca deu certo, ainda mais de camisetinhas e shoshortinhos baratos.

De Gang


 

Foto: ?
(O Natal leva o homem a loucura na hora de decorar)

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