Momento Fino Grosso


June 12th, 2009

Jornal De Gang
(29)




Momentos Fino Grosso 
Já que tudo está na nossa cabeça, é melhor a gente não perdê-la.”
Coco Chanel

Como é difícil a vida de frequentador!!!

No terceiro dia do Fashion Rio (domingo, dia 07 de junho de 2009) fui impedido de entrar por um segurança chefe (acho que era esse o seu cargo, pela sua prepotência). Mesmo com a pulseira de um dos apoiadores do evento, que nos dava o direito ao acesso em seu stand naquele dia, não nos daria o direito de acesso ao evento do mesmo dia, ou seja, você pode entrar só não passa da porta, tipo vai ao meu apartamento, mas não entra na minha portaria. Fui colocado eu e mais quatro amigos ao lado a espera de solução. Depois de alguns constrangedores minutos, o mesmo segurança chefe (o poderoso chefão), liberou nossa entrada por perceber que tínhamos o crachá do Business. Ao passar com o dito crachá preso no cós do cinto, o pitbull de terno me segurou e ordenou que colocasse o mesmo no pescoço, e ainda ordenou ao estilo blitz policial, que fosse à altura em que pudessem ser visto. Entrei segurando o tal crachá na mão e por não obedecer ao mencionado cidadão, fui proibido de entrar com o som de “barra ele”. Olhei para frente e vi outro segurança atônito vendo a absurda cena sem fazer exatamente nada. Coloquei o cordão no pescoço, passei e o retirei logo após, pois nada no mundo obriga uma pessoa a pendurar coisas em seu corpo sem ser de total utilidade, ainda mais um cordão feioso com um papel igualmente feioso, num local onde se fala de estilo. Se o evento pretende ser de moda, que cuidem melhor de seus convidados.

Sou totalmente contra ao estilo brutamonte como segurança de casas noturnas e estabelecimentos de lazer, principalmente os de locais de diversão. Ter um homem treinado para impedir tumultos é uma coisa usar da força para mostrar poder é outra.

Ter estabelecimentos refinados com truculência na portaria é muito feio e isso vai de contra ao estilo que estes casas se propõem a ser. Já vi muita confusão em entradas de boates e bares. Em festas pior ainda, pois tem sempre um meganha te olhando de cara feia, não se preocupando que esta ação só nos causa medo e receio de estar realmente seguro. Segurança é para proteger e não assustar.

Essa era dos finos grossos, esta muito mais forte agora do que antes. Quase sempre em agrupamentos sociais nos deparamos com pessoas com este perfil. Finas, elegantes, bem entrosadas no meio, mas com um exagero de grosserias que fariam inveja a um estivado ou lenhador de filmes antigos.

Certa vez fui convidado para uma festa de uma agência de modelos de uma querida amiga e parceira. A boate era no elegante bairro do Leblon, e o número de convidados muito bem selecionado. Ao chegar acompanhado de meu sócio, encontramos um pequeno agrupamento na porta. Fomos recebidos por uma linda recepcionista que nos localizou em sua lista e educadamente nos pediu para que esperasse um pouco, pois o local estava extremamente cheio e que aguardássemos a saída de alguns convidados. Sem problemas ficamos ao lado conversando com outros que ali esperavam. Num certo momento aparece na porta uma coisa roliça, vestindo um famigerado pretinho básico, cabelos longos, mal tratados e de cor louro falso, com aqueles aparelhos de escuta no ouvido, gritando em bom som que não entraria ninguém na merda daquela festa e selecionou meia dúzia de amigas e as empurrou para dentro furando uma possível fila. A recepcionista mais uma vez educadamente, mas bem irritada, mencionou que já organizava a entrada de todos e que, com a intervenção da gritona estaria atrapalhando o seu critério. Daí a moça roliça-loura-surda-com voz de trovão gritou que era a promoter da casa e quem comandava a entrada era ela. No mesmo momento aparece a amiga que nos convidara indicando que todos entrassem principalmente eu e meu sócio, não dando ouvidos à promoter mal educada. Em resumo, como se contratam pessoas com este tipo de educação para receber convidados especiais em festas chiques? Que critério se escolhe ao definir quem fica na porta e quem da às ordens?

Se for pra ser fina, não é necessário ser grosso, pois educação se tem e não se compra. Berrar na porta não demonstra poder e sim falta de senso e dignidade.

Cuidado com os pitbull de terno na porta, eles costumam morder.

De Gang


Foto: “Pitbull de terno e madame que ladra”
(Fotomontagem by De Gang)



(12 JUN 09)

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Momento Vestuário Masculino


May 10th, 2009

Jornal De Gang
(28)

 

 

 Momento Mapeamento da Indumentária Masculina 
 

 

 

É melhor chegar atrasado nesta vida do que adiantado na outra.

  

Dedicado a  turma do embagulha que eu gosto…

Como entender o vestuário dos homens!!!

(Mais um devaneio de um estilista, a fim de simplesmente detonar com o jeito meio boboca que nós homens nos vestimos, como foi feito anteriormente com as mulheres.) Vamos começar de baixo para cima.

 

Tênis: Aquelas coisas horrorosas, coloridas, espalhafatosas e cheios de detalhes desnecessários e ridículos que a homarada usa nos pés, quando não estão de chinelos.

O fato de calçar tênis, mesmo não estando numa olimpíada ou praticando algo que se assemelhe, não justifica aquelas aletas esquisitas, o excesso de cores, os volumes desajeitados e uma montanha de informação nos calçados esportivos. Eu sei que tudo está relacionado ao desempenho dos ditos cujos, mas pra que tanta coisa? Têm modelos que mais parecem aqueles horrosos ferros de passar a vapor, com visores, múltiplas cores e recortes que na verdade não modifica nada só atrapalha a visão com tanta decoração. Vistos nos pés, esse dão uma dimensão maior do que a realidade, fazendo o efeito de pé de urso, ou melhor, o famoso pé grande, tão falado e nunca avistado. O calçado costuma ter solas tão esdrúxulas que quase sempre dão o aspecto de queijo derretido na chapa. Fora os bodoques e bolotas extras que alguns fabricantes colocam dizendo ser freios ou amortecedores. Isso tudo não poderia ficar embutido na sola sem precisar ficar saltando a vista pra provar que funciona?

E por fim, tênis no calor só serve pra dar chulé…

 

Chinelos: O substituto dos tênis, só que feios e desajeitados como seus antecessores.

Ter pé bem tratado e limpinho é lindo de se ver num chinelinho simples e fresquinhos. Principalmente em casa, nas férias, nas praias, nos campos e etc… Agora o dia todo nas ruas e em qualquer lugar é uóóóóóó! O que tem de pé feio, mal tratado e esquisito não está no gibi, e o pior, em patinhas sujas, não dá para engolir mesmo!!!

Dedão à mostra só com muita boa vontade. Se caso você estiver num teatro, cinema, festa, show, evento cultural etc, os malditos chinelos comparecem a tudo, sem serem convidados.

 

Sapatos: Raros de se ver, mas geralmente feios e sem graça como os dois itens acima.

Como quase nunca os vemos, não tenho muito do que falar deste item masculino.

O que acontece com os fabricantes de calçados masculinos que nunca inovam e nos apresentam modelos que realmente crie o maravilhoso desejo de comprá-los? Se caso passo por uma loja de sapatos, acabo nem parando, pois quase tudo que está a venda ou já via décadas atrás, ou não uso nem morto, e na maioria das vezes, o que vejo é feio de matar, só combinando mesmo com o etilo cantores de bingo. Existe cantor de bingo???  

 

Cueca: O mesmo que a calcinha feminina só que grande, sem enfeites, sem charme e sem cores bonitinhas. Aparecendo o nome do fabricante bem grande quando for as de gente cuequeira.

Essa peça de roupa, que antes era para ser íntima e oculta está buscando um lugar ao sol, literalmente, já que ficam uma boa parte à luz do dia, não importando a bunda que nela se esconde, ou da qualidade e validade que este trapinho de roupa têm, e que somos obrigados a ver. Na ala gay, ela é importante para se saber o quanto seu usuário conhece moda, pois a grife vem sempre em primeiro plano não importando se essa mesma grife fabricou realmente esta calcinha de macho. Já no clima tribo de moderninhos, ela virou símbolo de liberdade podendo ficar até 50 % a vista, sem o perigo de só ser esta a única coisa vestida da cintura para baixo. Alem da função de cobrir bunda, a cueca passou a ter a famigerada função de pagar cofrinhos, pois estas estão, quase sempre, abaixo das cinturas, mostrando o rego de seus usuários.

Uma pergunta que não quer calar: Porque cueca? Se for para seguir uma lógica, a camiseta deveria se chamar peiteca, já que cobre o peito…

 

Bermuda: A única coisa que une o homem de todas as classes, já que são iguais e sem nenhuma originalidade visual, fora o erro na escolha de estampas, cores e o exagero de padronagens.

O homem moderno descobriu que com a bermuda ele pode dominar o mundo, daí para frente nunca mais colocou outra peça de roupa, nem para o casamento do seu patrão. Se bobear o patrão também se casará de bermudas, e das bem floridas.

A desculpa é sempre o conforto. Andar nu é muito confortável, mas nem assim seria um bom argumento para todo mundo sair pelado. Bermudas floridas são lindas, mas combinadas a camisetas estampadas é extremamente desagradável, esteticamente falando de se ver é claro. Ta bom, é confortável não se preocupar em combinar roupas, mas se preocupar em nunca combinar nada dá um trabalho danado. Êta gente complicada!!!

Outra coisa inexplicável, por exemplo, um homem moderno não admite usar uma calça rosa com medo de afetar sua masculinidade, mas usam bermudas com margaridas ou hibiscos gigantes no traseiro sem o menor problema. Flores não afetam o machismo, mas a cor da flor sim???

 

Calças: Idênticas às bermudas em feiúra, só que algumas bem compridas, excedendo nas bainhas, arrastando pelas ruas sujas seus excessos ou super justas, dando as pernas proporções de garças vestidas (calça skinner).

Algo que me impressiona bastante no costume da maneira de vestir do populacho é que na ala feminina as calças são geralmente números menores do que o corpo e já com os bofes o numero é muito maior do que realmente deveriam vestir. As mulheres apertam e os homens afrouxam. Gosto da combinação de esforços, assim um exagera e o outro simplifica. Casal unido jamais será vencido! Inclusive no estilo que é igualmente péssimo.

Essa onda de calça caindo perna abaixo já está enchendo o saquinho. Ver bundas na rua é foda, mas ficar na sensação de que você vai ver o cara sem calça é muito foda mesmo.

 

Camisa e camisetas: Aquilo que ele usa por cima do tórax, mas se o tal tórax for bombado em academias, a camisa ou camiseta estará dependurada no cós da calça.

Este item costuma ser dispensado com rapidez caso o seu usuário seja do time mamãe-tô-forte. Se caso não for, ele acaba tirando a camisa do mesmo jeito, por achar que pode peitar os peitudos. Tem a ala barriguda que sempre está morrendo de calor e se livrar de camisas com destreza de atletas que nunca foram. Já falei e repito, camisas e camisetas estampadas combinadas a bermudas também estampadas, só que em padrão bem oposto, está super na moda, pelo que vejo, só não foram para as passarelas ainda por falta de compreensão dos criadores de moda que não entendem essa mania esquisita do povão. Flores exóticas e bandeiras do timão nunca foram um conjunto de imagens bonitas de se ver.Isso tudo combinado a tênis metálicos multicoloridos com solas duplas e mega flúor é foda!

 

Chega de falar sobre homens, pois pra dar coió neles é muito fácil, já que a galera não faz por menos e sempre cria uma nova bizarrice para o meu deleite.

 

De Gang

 

Foto: Na duvida use tudo ao mesmo tempo…(2)
(Fotomontagem by De Gang)
 
 
(10 MAI 09)

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Momento Vestuário Feminino


March 31st, 2009

Jornal De Gang
(27)

 Momento Mapeamento da Indumentária Feminina 

Ninguém faz tudo bonito sempre. Até Deus. Ele fez o cavalo e também o rinoceronte”.

(Vinicius de Moraes)

Como entender o vestuário das mulheres!

 

(Devaneio de um estilista sem idéias, a fim de pirar no que mais sabe fazer. Roupas…)

 

Vamos começar de baixo para cima.

 

Sapatos de salto: Protetores de pés com elevações nos calcanhares.

Porque tão altos? Seria uma necessidade da mulher de se sentir sempre por cima! Ou é para se precaver de enchentes, e possíveis alagamentos? Poderia-se com eles, pescar siris e espécimes rasteiros, tendo que para isso só fincar os pés em alagadiços e mangues?

Na verdade eles servem mesmo como armas. Eu sempre imagino um ladrão com um salto bem alto, atravessado na testa.

 

Meia-calça: Aquela coisa apertada parecida com calças que reveste também os pés, mas são transparentes, longas, finas, quase sempre na cor da pele.

Pra que usá-las se mal dá para percebê-las? Se bem que dá um aspecto bem bonito e aveludado a perna. Não seria melhor tratar da pele do que disfarçar com meias quentes e incômodas! Eu nunca usei uma, mas sempre fico imaginando como deve ser chato ter que ir a banheiros vestindo uma meia-calça. E se são usadas para proteger do frio, porque não cobrir as pernas com roupas mais longas, ou adequadas, em vez de deixar toda a perna de fora aos olhos dos curiosos?

 

Calcinhas: Peça intima já que estão bem próximas da área de lazer feminino.

Tão pequeninas, rendadas, bordadas, floridas e cheias de laços e frufrus. Se são para serem vistas, porque não vesti-las por cima das roupas, ou já que não era pra se ver, porque não usar cuecas como fazem os homens. Alias não entendo esse nome cueca, mas falarei em outra hora sobre esse assunto. Tem calcinhas tão pequenas que mal tampam a bunda se transformando num verdadeiro fio dental, bem inconveniente e aflitivo de se ver. Se um fio serve para proteger partes intimas, não seria necessário usar a calcinha e sim um tubo de barbante.

 

Saias: Aquilo que enrola as mulheres da cintura para baixo.

Algumas vezes tão curtas que da para se ver os itens acima descritos sem menor trabalho, ou tão apertadas que, mas parecem tarjas de buça… , impedindo que nada possa sair lá de dentro. Tem as muito longas que não seria necessário usar nada já mencionado por baixo. Quando é na versão ampla como pára-quedas, poderiam servir como abrigo para as crianças em dia de chuva e intensa ventania ou para aquecer cachorrinhos friorentos. O melhor mesmo é servir de esconderijo para amantes pego de surpresa. Já na versão apertada como charutos prestariam para manter a dita usuária fixada na mesma posição em festas e eventos, nunca se perdendo sua localização já que de lá ela não ira para muito longe.

 

Calças compridas: Igual às meias-calças só que sem os protetores de pés, e quase sempre incômodas como meias finas.

As favoritas são as apertadas a ponto de dificultar a circulação sanguínea, mas parecendo que foi tecido ou pintado nas pernas. Temos também as de cintura super baixa que na verdade mostram as belas calcinhas e rendas e cheias de frescuras. As do tipo larguinhas são ótimas para disfarçar balanças vencidas e ou corpinhos fora do tom. Tem as versões curtérrimas que chamamos de shoxortinho, muito apreciada por meninas malvadas e de bem com a vida (sei lá que vida é essa, mas tudo bem. Prosseguindo…).

 

Sutiã: Peça de reforço gravitacional, em forma de melões cortados ao meio, de grande ajuda feminina.

Ficam geralmente por baixo das roupas dando a impressão de que lá está um par de belos e rígidos seios, o que nem sempre é verdadeiro. Às vezes são rocamboles enrolados em armaduras de rendas, tapeando o pobre coitado do pretendente. Ou então os estilo cartucheiras, que acabam ficando presos nos cintos como dois revolveres de faroeste caso caiam do ditos suportes peitorais. Na maioria das vezes essa peça de roupa, também intima, tem as alças em silicone (como fita durex) para serem vistas fora do lugar onde deveriam estar oculta.

 

Blusas: Iguais a camisas só que mais delicadas e femininas.

Tem lindas peças que às vezes são feitas em tecido muito fino deixando à mostra tudo que você gostaria de ver, ou então curtas e apertadas que não deixam mais nada para se imaginado. Nas cores berrantes que se berrassem mesmo ensurdeceriam metade do planeta ou nos tons pasteizinhos que juro, nunca vi pastel rosa ou lilás…

 

Vestidos: É aquele pano que enrola toda a mulher.

É a mesma coisa dos dois itens, saia e blusa, só que costurados um no outro. Existem os justos e curtos ou longos e largos, só depende do gosto de quem usa e do corpinho disponível.

 

Acessórios: Peça de sinalização do quanto poder aquisitivo tem a sua usuária (ou o seu marido, amante, amancebado, caso, tico-tico no fubá…) caso sejam de metais preciosos.

Para quê usar tantos, colares, brincos, pulseiras e anéis? Seria realmente para servir de contra peso? Se uma mulher com isso tudo cair num lago, não voltam à tona, jamais.

 

Resumindo a mulher é um produto que nunca foi finalizado. Para se provar isso é só você convida uma para sair. Ela sempre lhe dirá que tem que fazer as unhas, os pés, as mãos e os cabelos, ou seja, terminar o que nunca ficou pronto.

Na próxima falarei da ridícula indumentária masculina, que não fica muito atrás da feminina, só que com menos glamour.

 

Desculpe o devaneio gente, mas na verdade adoro vestir as mulheres e principalmente vê-las belas e charmosas, mesmo que pra isso tenhamos que sofrer alguns incômodos.

E Deus salve a moda…

 

De Gang

 

 

Foto: Na duvida use tudo ao mesmo tempo…
(Montagem de De Gang)
 
 
(31MAR 09)

 

 

 

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Momento “Olha o Carnaval ai de novo”…


February 15th, 2009

Jornal De Gang
(26)


 Momento Carnaval II 

Reciclagem:

Se você nunca mudar suas roupas estará na moda de vinte em vinte anos.

 

Por Fernando Ceylão

 

 

Sair bêbado em fila indiana precisa de coreografia??

E vem chegando o carnaval, e lá vem o barulho desnecessário, o excesso de gente bêbada e drogadinha, gritando pela noite adentro, os mijões de rua que infectam tudo ao seu caminho. Em suma, todas aquelas semanas desagradáveis pré-carnavalescas que assolam o meu bairro e quase todos os outros da minha linda cidade.

Aqui, meses antes, todo o final de semana, acontece um encontro de foliões na esquina próxima ao Hospital Cardíaco do Rio.

O que aconteceu com a lei do silêncio?

Será que passar buzinando e berrando já é permitido só em épocas de festas populares?

Nesta esquina se reúnem umas muitas centenas de bofes sem camisas e patrícinhas de xoshotinhos apertados, que ouvem sambas enredos, a boa musica funk (cruzes) e a marchinha de três frases que o bloco cria a cada ano, não mudando muito a do ano anterior só não perdendo a monotonia do canto e como uma boa musica de bloco, a cafonice do tema. Dizem que estas reuniões são para ensaiar o dito bloco que sai dois dias na data prevista para acontecer o maldito carnaval.

Bloco precisa de ensaio?

Sair bêbado em fila indiana precisa de coreografia??

Será que contratam coreógrafos famosos para isso???

O povo vai chegando aos poucos, com suas lindas bermudas floridas e camisetas esquecidas em casa. No caso das gatinhas, essas em sua maioria vestem, como dita a moda, micro-shortinhos, que espremem as bimbinhas dando ao caminhar, passadas apertadas, típicas de quem esta muito precisando de um cantinho para se aliviar dos litros de cervejas bebidas há horas. Todos é claro, de chinelinhas rasinhas boas para se pisar no próprio xixi feito na calçada. Por final é todo mundo confraternizado na bebida e na maconha que é de praxe, num evento tão popular e familiar, pois todos têm famílias e sabe lá o que estão pensando em suas residências, dos seus queridos e alegres foliões que saem cedo e só voltam mais tarde alegrinhos e soltos pela intensa experiência que é o pré-carnaval de rua.

Tenho uma grande amiga que num ano destes, reunido e ilhado no bar da esquina, que sempre fecha as portas às pressas fugindo das multidões de felizes carnavalescos que não sei por tradição ou ritual, depredam os sanitários já que maioria vai precisar deles mais tarde. Seria para incentivar o uso das ruas como mictórios momescos???

Bem, voltando à amiga, esta sempre acaba encontrando mães de amiguinhas da escola de sua filha, já bêbadas e sem noção do ridículo que é estar fantasiaras de putinhas (quase todas parecem estar fantasiadas desta profissional do prazer), com a cara de final de festa e ar de quem nem sabe onde está e o que fez, com um monte e marmanjos a boliná-las. Muito fofo estar no seu bairro e reconhecer quase todos neste estado etílico, já que maioria mora por perto.

Na data da saída do bloco, que já esta com uma média de três mil pessoas, a rua fica intransitável obrigando moradores a estacionarem seus carro em outras localidades, caso precise fugir as pressas de uma tsuname de mijo ou quem sabe da praga da folia aguda. O ritual começa bem cedo com o povo nos bares, com todo mundo já colocadinho, impedindo o trafego e lá pela alta madrugada terminam a obstrução de gente a espera do próximo dia.

A prefeitura permite blocos em ruas de uma única via, de transito médio intenso e crucial ao bairro. Nunca entendo como funciona isso?

O prefeito nunca faz um bloco passar na sua porta, mas nas dos outros tudo bem né!!!

Bloco no cu dos outros é refresco…

O bairro de Laranjeiras consegue ter sete blocos, e alguns saem ao mesmo dia criando um engarrafamento de porte monstro na única rua de acesso a dois túneis fundamentais à cidade. Quem planeja estes percursos merecia estar no bloco, preso numa jaula, escutando a tal marchinha de três frases o dia inteiro, ou melhor, o ano todo pra não esquecer. Detalhe, sem poder fazer xixi é claro…

 

De Gang

 

Foto: Ensaios de bloco de rua???
Prá que???…
(Montagem de De Gang)
 
 
(15 FEV 09)
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Momento I’m too sexy…


January 22nd, 2009

Jornal De Gang
(25)

 
 Momento I’m too Sexy…

Vítima da moda:

O mais triste para uma vítima da moda é ser enterrado com uma roupa e saber que terá que usá-la para a eternidade.”

Por Fernando Ceylão

 

 

Esta faltando pano no seu modelito.

Minha nossa senhora, esta chegando o verão e as bermudas aparecem em massa pelas ruas, reiniciando o terror do carioquismo que volta a assolar o país.

A grande onda desta temporada, seguindo a maldita tendência de moda, tão falada e repetida pelas feiras fashions da vida, é a do shoxortinho (shortinho de xoxota). Aqueles minúsculos, enfiados na bunda, muito admirado pelas mulheres frutas e assíduas de bailinhos familiares que tocam aquelas musicas também bem familiar. A galera no geral torce o nariz para este estilo musical, mas no final acaba adorando e toca em tudo quanto é festa de playground da zona sul. Pelo menos é o que escuto sempre que passo em prédios com salão de festas. O funkão vem geralmente após a sessão da chatérrima axé music, o repetido bate estaca, típico hits dos anos 80, a já manjada sessão discoteca e por fim o bom e velho sambinha enredo, nunca esquecendo uma boa leva de musicas cafonas, tipo Gretchen e coisa que o valha, para que todo mundo possa fazer seu momento “paguei mico na festinha”.

O dito modelito que saiu destes salões festivos, vem envolvendo quase todos os tipos de mulheres, não fazendo distinção de idade ou tamanho. Muito pelo contrario, quanto maior o tamanho menor o shoxortinho, deixando muita coisa a ser vista, o que nem sempre é bem recebido pelos olhos inocentes de um estilista.

Os modismos que vulgarizam as pessoas sempre entram mais fáceis do que o que valorizam. Nunca entendi o por quê?

Lembra das bermudas de ciclistas que todas as idosas adoram usar para fazer compras, deixando que a gente veja o quanto uma bunda pode cair com o passar do tempo? E as calças corsários que para quem tem pernas curtas e grossas, deixam as coitadas parecerem personagens do “Senhor dos anéis”. Sem esquecer de mencionar a onda lycra flúor, que como todo bom erro, foi adotado em massa pelas fofinhas, que se sentem femininas e sexy com suas roupas atochantes e vibrantes, como embalagens de sucos.

O que deverá ser a coqueluche do momento nestes tempos de calor é o shortinho super mínimo, usados com camisetinhas também mínimas e sandalhinhas rasas ou as já surradas havaianas, não esquecendo o soutien de biquíni por baixo de tudo, dando a idéia que se foi à praia e não se trocou de roupa. Moda lançada por uma bonitinha de novela das nove. Tem coisa mais brega??? Tem ate a falsa marca de biquíni aparecendo, feitas com ajuda de fitas crepe na hora de tomar sol.

Estar de férias, num balneário é tudo de bom, mas estas na cidade em pleno caos urbano, com o corpinho exposto à poeira e a sujeira de uma grande cidade é pura porcalhança.

Como vivemos em região tropical e justamente no verão temos mais incidência de chuvas do que o normal, o que vejo de chinelinhas na poça d’água não esta no gibi. E se der uma esfriada momentânea, a coisa fica um pouco pior, pois a única maneira de se proteger é pondo a mão onde se sente mais frio. Local bem próximo do que se quer mostrar, mas o pouco pano não deixa ver. Um horror, ver mulher molhada, com pé na lama e com mão na bimbinha em esquinas de movimento. O pior é se esta mesma pessoa acha que está sexy e desejável com esta estampa. Esse povo não tem mãe não é?

A super exposição de corpos gostosos está chegando ao máximo permitido. Ta certo se sentir legal e querer que todos vejam isso, mas forçar a barra é muito foda mesmo. Nem toda criatura é “Gabriela cravo e canela” de Jorge Amado, e nem todo mundo é modelo de passarela para se apertar tanto em roupas pelas ruas. Estar com o corpinho em dia é bem bacana. Melhor ainda, esconder o que não esta, assim nos protegemos do vexame do olhar alheio. Ficar vendo celulites apertadas em calcinhas diminutas e barriguinhas em fuga de cós muito baixo deveria ser proibido por lei, correndo o risco de pagamento de multas por ferir a estética e o bom senso dos outros. Na verdade é forçar a amizade andar com gente vestida assim.

Em todo lugar que vejo, tem sempre uma senhora super apertada, em roupas ínfimas, parecendo que estão prestes a explodir de tão menor que é o manequim usado. Nem sempre a escolha é de bom gosto e quase sempre a dita senhora não está com essa bola toda pra envergar tamanho visual. É muita gente “sexy symbol de araque”. Sinto-me no reinado de “Tieta, a rainha do agreste”, onde o personagem distorcido da mulher fatal invade ruas e becos do todo o país. Fico quase que com vergonha de olhar pra esta gente e parecer um tarado de beira de estrada.

Não podemos esquecer das super cuecas a mostra dos meninos que acompanha a garota shoxortinho. Mulher com menos e homem com mais. Dá pra entender???

Geralmente as bermudas masculinas são muito maiores do que seus donos e as cuecas ficam quase que totalmente à mostra do elástico da cintura ao fundilho da peça intima. Se a cueca é nova e quem veste é um bonitão, passa. Mas cueca velha em bundões com cara de bunda não dá…

Sinto falta da elegância de outras épocas, ou isso nunca existiu e eu é que estou inventando???.

Outra coisa que me incomoda muito é o fato de a moda ser feia, vestir mau e mesmo assim as pessoas as compram e pagam com o seu suado dinheirinho.

Moda linda ninguém quer né!!!

 

De Gang

 

 

 

 

Foto: Salão de exposição de shoxortinhos de sei lá onde…
(Montagem de De Gang)
 
 
(22 JAN 09)

 

 

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Momento Mundo Cão


December 5th, 2008

Jornal De Gang
(24)

 

 
 Momento Mundo Cão

“Em Hollywood um beijo seu pode valer milhões de dolares e a sua alma 50 centavos.

Prefiro a primeira opção.”

Marilyn Monroe

 

Tem cachorro bailando no salão

Meu Deus do céu, que droga é essa de humanizar bichos domésticos? Que onda é essa que esta assolando as pessoas nestes últimos anos???

Há tempos atrás, ter um animal doméstico era simples e totalmente natural, pois estes adoráveis bichinhos nos divertiam nas horas vagas, protegiam a casa e em casos mais freqüentes, serviam de companhia. Normalmente dormiam no quintal, áreas de serviços e as vezes até num cantinho do quarto, em casinhas de madeira, caixotes ou num simples pedaço de pano com jornal por baixo pra facilitar a limpeza. Tinham nomes comuns tais como: Lulu, Rex, Thor, Fifi e muitos outros. Se alimentavam de comidinhas que sobravam das refeições familiares ou simples rações, e bebiam em potinhos ou aquela bacia velha não mais usada na lavagem de roupas, não criando assim, nenhum acréscimo nas despesas de uma casa. Se tinham brinquedinhos, esses eram bolinhas, bichinhos de borracha ou ossos falsos. Coisa típica de cachorro.

Agora esta pintando uma montanha de gente que cuida dos lindos amigos peludos como se fossem crianças ou entidades, sendo que com um cuidado muito maior que uma de verdade teria se caso fosse da raça humana. Vejo cães com sapatos, camisas, calcinhas, bonés e ate óculos pelas ruas e me assusta muito a relação que seus donos tem com o animal que acaba superando o que se chamam de normal uma relação homem-bicho. Na maioria das vezes são apresentados como filhos ou sobrinhos, pintando até as avós e avôs de quadrúpedes, e moram nas casas como se fossem pessoas comuns com móveis, camas e tudo que um menor abandonado gostaria de ter, mas não tem por ser humano e não cachorro.

O que tem aberto de petshop por ai não está no gibi. Tem mobiliário, roupas, fantasias, acessórios que não tenho a menor idéia do que seja e por ai vai. É serviço de lavagem, tratamento especiais, incluindo o de beleza.

Uma pergunta: Cachorro penteado fica mais bonito, ou fica com a cara do dono?

Dar nomes de gente sempre foi uma forma irônica de nomear um animalzinho, mas tratá-los como personalidades é muito esquisito. Tem até cão com sobrenomes conhecidos e famosos.

Vesti-los de crianças, levá-los a festas e recepções é um pouco demais, pois ninguém tem a obrigação de aturar bichinhos alheios ainda mais dividir espaço, comidas e assentos com estes mesmos seres. Eu penso assim, se eu não tenho bichos em casa porque irei gostar de ver bichos em meu sofá ou cama e o pior comendo o meu buffet feito com tanto carinho! E me chamar de tio do cãozinho não convidado é o fim da picada. Acho que deveriam pensar o mesmo na hora de levar o bicho pra casa dos outros.

Tenho visto cães em restaurantes, bares, festas, exposições, ou seja, em tudo quanto é lugar, sem a menor preocupação da pessoa que os leva. Quando o monstrinho não esta assustando convidados, incomodando com latidos chatos ou sujando recintos públicos em prol da falta de senso da galera amante dos fofinhos, eles estão a fazer merdas por todo os lados sem a menor cerimônia, já que pensam como cachorros e não como humanos.

No meu bairro tem muito destes novos amantes de bichos, que levam diariamente seus peludos cagões a fazer cacas por toda a extensão da minha rua, que é constituída praticamente de casas e pouquíssimos prédios.

Porque não deixam os seus cocozinhos na porta de suas residências, deixando lindas ruas sem o odor de mil xixis? De animal e de beberões que adoram mijar em ruas tranqüilas de dia e de noite, já nem sei mais quem é o pior!

Tem caso em que obrigam os moradores a lavar constantemente a calçada por causa do cheiro ruim, e olha que ate já levei bronca de moçoilas com seus cães, que acharam que eu estava contribuindo com o termino da água do planeta, e quando ia explicar que era culpa dela o desperdício feito, o seu lindo cãozinho urinou mais uma vez no meu portão, no mesmo lugar em que fazia há meses. Quase mordi a moça…

Um dia deste estava passando na frente de uma linda loja de artigos naturais, nas proximidades e presenciei uma velhinha que trazia um ridículo poodlee com polainas e fitinhas de cetim no cucuruto, que foi liberado do seu carrinho de bebês, com brinquedinhos amarrados por debaixo de um mosqueteiro de filó branco, igual ao usado por crianças recém nascidas, para que pudesse fazer cocô bem na porta de entrada da bela loja.  O bicho cagou, a velha recolocou o cagãozinho no carrinho e foi-se embora sem a menor preocupação do que acontecera. A proprietária se indignou e pediu para que a senhora retirasse a bostinha do chão tendo como resposta, um berrado: “A rua é publica e minha cadelinha caga onde quiser!” Rapidamente a moça num rompante de ira e descontrole, pegou na merda, com suas mãos nuas, que provavelmente foi usada para vender um belo artigo anteriormente, e atirou o fumegante nas costas da senhora mal educada, fazendo o cocô grudar, seco no casaquinho da distinta. O povo da calçada caiu na gargalhada, se disfarçando logo após pra não criar traumas. A velhinha ainda tentou revidar, mas nada conseguiu fazer já que tinha perdido totalmente a moral, na frente de todos”.

Bem feito para a velha e sua fofinha cagona de polainas e espero que leve muita merda na cara por cada bostinha perdida.

Adoro peixes de aquários, pois estes nunca têm que sair para fazer as necessidades nas ruas dos outros.  

 

De Gang

 

 

Foto: Salão de festas de sei lá onde…
(Montagem de De Gang)
 
 
(05 DEZ 08)
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Momento Carioquice


November 9th, 2008

Jornal De Gang
(23)
 

 Momento Carioquice


“Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta.”

Autor Desconhecido

 

 

Deu quiquito no bafão de Cleonice…

Dias atrás estive em uma super festa em Santa Teresa, numa big casa mega monstra, muito bem localizada, pois eu conseguia ver ao mesmo tempo o bairro da Urca com o seu Pão de Açúcar de fundo e a Central do Brasil no centro da cidade, tudo num mesmo plano.

A casa era muito bonita e bem decorada, com jardins a toda volta, ambientados com confortáveis sofás, cadeiras e poltronas. Um eficiente sistema de som mantinha a musica em todos os recantos e muitas televisões de plasma em tudo que era lugar distraia os olhos. Tinha uma até no trampolim da piscina pronta para um mergulho! Em cada canto desta imensa propriedade tinham generosas mesas muito bem arrumadas, de comidas e bebidas não faltando quantidade em momento algum só pecando um pouco pela qualidade do buffet. Por uma recepção não passava nenhum penetra ou convidado não desejado, com grande equipe de recepcionistas treinados e equipados para que nada desse errado nesta fabulosa festa. Belos modelos masculinos e femininos circulavam com figurinos duvidosos, mas adequados para o tema da dita festa, distribuindo brindes e balinhas. Uma gigantesca equipe de serviço circulava pela casa não faltando champagne e salgadinhos para ninguém. O único defeito desta fantástica noite era que eu não conseguia ver, mesmo circulando por todo o espaço e a noite inteira, menos de uma dúzia de pessoas bem vestidas ou adequadamente arrumadas. Desta minoria, contando comigo (o que não conta), o meu sócio (que também não deveria contar), um amigo que trabalha na área da moda com o seu terno de linho branco, sua bela acompanhante que me lembrava muito uma Billy Holliday repaginada no seu lindo vestido tubo e flor nos cabelos, uma belíssima e estranha moça de cabelos à la Cleópatra, vestindo um macacão preto super chic que transitava com um grupo de pessoas que não combinavam muito bem com ela e mais um ou outro que passavam solitários na nossa frente, destoando muito da maioria. O restante dos convidados estava como sempre, uniformizados, com péssimas roupas em produções largadas, relaxadas ou até mesmo, não sei se de propósito ou se é pra ser chato mesmo, ao estilo “estava em casa, saí assim mesmo e não estou nem ai pra você”. Trocando em miúdos: bermudas, camisetas e tênis sujos e quando tentavam estar mais sociais, a coisa ficava no modelito de péssimo gosto.

Cacete, que coisa mais pentelha essa onda carioca, e olha que sou carioca e odeio falar isso, de quase todo mundo colocar o pior do seu armário em prol do conforto e esquecer que confortável não é estar com um jeans imundo e uma camiseta velha e sim estar com algo que lhe caia bem e te deixe bonito e bem apresentado.

Nesta festa a mulherada quase que em sua maioria vestiam aqueles famigerados jeans bem apertados, como sempre, com aqueles desbotados cafonas em áreas esquisitas e as miseráveis blusinhas batinhas de viscolycra como se todas estivessem vindo de uma feira livre, e é claro todas de salto alto que sempre da aquela caminhada de pato para as que não sabem usá-los. Seria o salto à desculpa por não ter colocado coisa melhor ou de salto tudo fica perdoado?

As que não faziam o estilo casual boboca (jeans, camiseta e salto), usavam vestidinhos soltinho de alcinhas, geralmente em malha, com brilhinhos feiosos pra dar um look noite. Algumas mais ousadas usava o que chamaria de roupa de acompanhante de boates de pegação para gringos. Vestidos muito curtos, geralmente bem brilhantes e espalhafatosos, muito decotados e com cara de fora de moda, se é que já esteve alguma vez na moda… Lembro-me de uma gatinha que trajava algo do gênero que de tão curto parecia estar só de blusa. Como quase sempre a bunda é maior do que o resto do corpo, obrigando a moça a ficar puxando o micro vestido a cada movimento. E o melhor era o cabelo meio liso e preto na raiz e cacheado e louro nas pontas, dando pra perceber que algum tempo ela não passava num cabeleireiro. Meu Deus! Parecia personagem de “Bye Bye Brasil”, ou seja putinha de estrada.

Como a festa era da turma do cinema e em Santa Teresa, tínhamos a ala hippie local que nunca pode faltar com suas sandalhinhas rasas de couros fedorentos, vestidões e batas de ciganas cheios de espelhinhos descorados e as calças largas, sujas e feias de algum tecido fininho destes muito em voga nos anos 70’. Em suma, aquele horror bicho grilo de sempre. Janis Joplin já morreu e Woodstock acabou a décadas.

Os rapazes, quase que em sua maioria, vestiam qualquer calça larga e velha, camisetas que pareciam de alguma promoção ou evento com logos e escritos feios no peito e o finalizante de estilo, tênis caros, grandes e medonhos. Não sei o porquê, mas existe uma onda de cofrinho a mostra e cuecas a vista que cansa e muito quando se está numa noite de festa e glamour. Gente tem coisa pior na vida do que ser “nada”, “zero a esquerda”, “não-to-nem-ai” ou “Zé arruela” de festas?

Eu escuto sempre de pessoas que olham o meu trabalho de moda e dizem não ter aonde ir com roupas bonitas. O que me irrita é que quando tem a oportunidade, não usam por sei lá qual motivo e só se vestem melhor no casamento de algum parente ou se por azar precisam sair à cata de empregos, fora isso é sempre o jeito carioca de ser, chinelo, bermuda e moletom no frio e na chuva.

 

De Gang

 

 

 

Foto: O vestido Ispahan Dior, de 1947
(ilustração de René Gruau para a revista Adam}
 
(Tem penetra no salão de madame.)
(Montagem de Antonio Kvalo)
 
 
(09 NOV 08)

 

 

 

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Momento Foto-braço


October 12th, 2008

Jornal De Gang
(22)

 

 Momentos foto-braço

Aperta ai, pois sempre cabe mais um quando se usa uma digital….”
 

Fiz recentemente uma exposição no atelier de fotos do making of do ultimo desfile de minha grife. Fotos feitas por uma querida amiga que registrou com suas mágicas lentes, momentos raros e belos de um trabalho longo, cansativo e muito gratificante, momentos os quais não pude observar com atenção por total falta de tempo e sanidade, devido à correria do dia e o excesso de solicitações que uma produção como esta nos exige. Neste instante de meu trabalho, na maioria das vezes, nos impede de curtir o evento como ele é, só nos sobrando lapsos de memórias de muita coisa perdida ou cenas não digeridas. As fotos mostram exatamente isso, sorrisos furtados de algum assunto que não ouvi, ou belos rostos plácidos em total relaxamento num caos total de um camarim. O melhor desses registros são, ângulos muito especiais de coisas que numa situação comum não nos chama a atenção. Objetos, cenas, caras, posições, ou seja, tudo que uma lente pega e perpetua para sempre, se transformando num maravilhoso documento de uma vida.

Eu especialmente adoro este tipo de fotografia, que geralmente depende de talento, sorte e muita sensibilidade no momento do clic derradeiro.

Com a invenção das câmeras digitais e a facilidade de operá-las e de se tê-las, a fotografia ganhou uma popularidade meio jeca. Todo mundo tem câmeras, tira fotos, de tudo e de todos, que acabam entupindo o HD de um computador por inteiro e nunca tendo uma utilidade prática. Na maioria das vezes estas imagens entopem blogs e álbuns pessoais na Internet que pouco interessa a quem não faz parte deste grupo ou meio. Em suma, um monte de imagens chatas com fisionomias chatas, rindo e fazendo o que mais detesto; caras e bocas de gente de muito glamour sem a exuberância do termo.

Acho realmente um saco ir a festas, eventos ou nada em especial e ver ou ser fotografado por qualquer um, me vendo mais tarde em uma filinha de pessoas com sorrisos dentadura e eu como sempre, fazendo um esforço sobrenatural pra me sentir bem e relaxado com esta invasão de almas que é a fotografia instantânea de festas.

Eu freqüentava uma casa noturna que contrata uma profissional da foto pra pegar os amigos e famosos que são posteriormente exibidos em telões a noite toda, numa repetição de caras que da ate sono. O mais engraçado é a própria fotografa que aparece na maioria das fotos na mesma posição e com o mesmo carão de “legal-eu-estou-aqui”, com o bracinho esticado virando o que chamo de ‘foto-braço’. Se o convidado é importante, ele aparecera em vários cliques, sempre com o mesmo semblante já cansado de mostrar todos os dentes, dando-lhe o estilo sorriso de miss, (amarelo e sem graça). É um saco mesmo, ver a mesma expressão em seqüência, por uma noite inteira.

Tenho amigos que já sabem que cara fazer para fotografias em eventos. Dão-lhe poses a la Gisele, Madonna e até a nossa velha de guerra Gretchen, em fisionomias congeladas e sem um pingo de modificação. Já ate sugeri se fazer carimbos de caras auto-adesivos, assim é só colar nas fotos em que você não compareceu ou no momento exato estava no banheiro na hora do ‘chega-aqui’, ‘junta-mais’, ‘atenção’, ‘sorria’ e ‘tira a mão em forma de chifre da cabeça do seu amigo’. 

Morro de tédio ver fotos de socialites, sempre se colocam na posição rainha da primavera, com o corpinho em ângulo, pezinhos um à frente do outro, como se ensinavam no curso de etiqueta da antiga Socila, e a tradicional cara de total felicidade, pois estou sendo fotografada. Eu ainda sou famosa… Eu ainda sou jovem… Eu ainda valho uma foto…

A garotada é o mais sério, pois se fotografam sem parar, o tempo todo, sempre em bandos, sempre empilhados, quase sempre de cima para baixo, fazendo todo mundo ficar desproporcional, (cabeções e corpinhos) e caras e caretas de gente de circo, com línguas, olhos e mãos em forma de algo que você nunca entende pra que serve ou o que significa. É careta ou expressão de desconforto interno?

Os marrentos (gente grande com cabeça de gente miúda) que sempre se fotografam em grupinhos, como crianças. Em poses marciais, tipo eu luto alguma coisa e adoro fingir que estou pronto pra briga. Caras maldosas, ou seria vontade de ir à casinha?  Mãozinhas na forma fálica ou um tipo duplo falo (V). Sempre de cuecas a mostra sem as camisas, numa exibição de músculos e ‘molúsculos’ desnecessários. Não sei realmente o que é este estilo de pose, mas é bem boboca.

Tem a foto popozuda, onde a dita cuja se coloca com todos os seus ângulos pra frente, se contorcendo de uma forma sobre-humana para se passar sexy e absurdamente natural os seus atrativos turbinados. Da-me uma aflição ver estas moças tão gostosas e tão tortinhas. É bunda, peito e periquita no meso ângulo. Ai que dor…  

E esta onda de fotos comprometedoras de poses patéticas, eróticas e na maioria bizarras, que sempre acabem vazando na Internet. Acho bem ridículo você se deixar fotografar as